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Lidando com o luto - Aspectos do luto:

O luto é uma experiência angustiante, mas bem familiar.

Para nós, normalmente as perdas começam a acontecer mais tarde na nossa vida, e talvez por isso não tenhamos a hipótese de aprender a lidar com o luto - como nos faz sentir, o que devemos fazer, o que é "normal" acontecer - e de o aceitar.

No âmbito veterinário, quando ainda estudantes, a prática da eutanásia nas aulas de experimentação animal, bem como visitas em fazendas para aprender sobre o processo de abate nos animais de corte, fazem um papel inverso nesta valorização Vida X Morte. A morte neste caso é necessária,não há perda e sim ganho, no caso da alimentação. Porém esta constante causa uma defesa emocional, uma amputação afetiva, uma dicotomia de valores, somados à consciência grupal, como vimos na página anterior.

Já no caso da eutanásia nos animais terminais, o processo de luto que ocorre devido à perda, pode trazer à tona um sentimento de culpa, de impotência, favorecendo o surgimento de pensamentos referentes a tudo aquilo que poderia ter se feito ou dito, e que já não tem retorno, ou mesmo naquilo que podiam ter feito para impedir essa morte.

Neste sentido, leituras complementares se suporte, atividades como Yoga, Tai Chi, meditação, terapia, são importantes para trabalhar a compreensão e o lidar com estes aspectos dentro de si. 

De outro lado, o luto do proprietário que conviveu por anos com seu animal, criando vínculos, este confronto com a morte, certamente o obriga a uma espécie de processo de luto de si próprio e se faz importante conhecer como se dá para uma postura mais humana nesta inter-relação. 

Aparte as crenças pessoais, o luto em ambos os lados, remete a um repensar sobre alma, sobre a continuidade da vida, sobre os que se aprendeu sobre as crenças e religiões desde a infância, sobre a consciência de si neste universo, sobre o que se espera da vida, e desta forma a "familiarização do luto" para com os profissionais, pode torná-los despreparados para como lidar neste âmbito, bem como, isolá-los desta realidade filosófico-emocional inerente ao ser humano.

Passemos a compreender então as fases do luto:

A maioria dos proprietários, os quais tinham uma relação intrínseca com seus "parceiros-amigos", nas horas e dias seguintes à morte, passa por uma fase de descrença, ficando totalmente "atordoados", como se não pudessem acreditar no acontecido. Mesmo quando a morte era esperada, este sentimento pode surgir. De certa forma este estado de torpor ou dormência emocional pode ajudá-lo a levar a cabo todas aqueles procedimentos burocráticos inerentes a este processo, mas pode tornar-se num problema se continuar a subsistir. 

Depois desta fase de "torpor", poderá surgir um período de grande agitação, ansiedade e ânsia pelo que foi perdido. Esta mudança súbita de emoções pode deixar amigos e familiares confusos, mas faz parte do processo natural de luto...A pessoa começa a não conseguir relaxar ou concentrar-se e o sono pode ser perturbado. 

Os sonhos que surgem nesta altura podem ser muito confusos e algumas pessoas chegam mesmo a ilusionar seus queridos companheiros, nas ruas, em casa e em todo e qualquer lado que os faça lembrar. 

Segue-se rapidamente de períodos de grande tristeza e depressão, retiro e silêncio. 

Com muita frequência, a pessoa em luto sente-se muito zangada e revoltada - contra o profissional que não conseguiu impedir a morte que agora lhe pesa, contra os amigos e familiares que podem não lhe dar suporte emocional ou consideração e importância devida por “ser apenas um animal”, ou mesmo contra o próprio animal que perdeu e assim a deixou.

Conforme a individualidade de cada um, e a agitação começar a cessar, os períodos de depressão tornam-se mais frequentes e atingem o seu máximo, passadas quatro a seis semanas do ocorrido. 

Crises de choro e angústia intensa podem surgir a qualquer momento, sendo habitualmente desencadeadas por tudo o que possa remeter ao seu animal, ou acontecimentos que fazem lembrar quem se perdeu. Algumas pessoas podem não conseguir perceber estas crises ou ficar sem saber o que fazer quando isto sucede.  Poderá também haver uma tendência da parte da pessoa em luto para evitar as outras pessoas. 

Durante este período, pode parecer estranho aos outros que a pessoa em luto passe muito tempo desanimada, sem fazer nada, mas o fato é que ela estará a pensar em quem perdeu, recordando constantemente os bons e os maus períodos que passaram juntos. Esta é uma fase silenciosa, mas essencial à resolução do luto.

À medida que o tempo transcorre, a angústia intensa resultante do luto começa a desaparecer. A depressão atenua-se e será possível finalmente um recomeçar. No entanto, o sentimento de perda nunca desaparecerá por completo. Depois de algum tempo, deve ser possível sentir-se de novo "completo", apesar de faltar sempre uma parte de si que nunca será substituída.

Este processo ocorre da mesma forma em qualquer situação, seja para um animal ou humano, conforme o grau de importância que o ser adquire na vida do indivíduo. 

Percebamos então, como um luto, seja em qual âmbito for, é um processo doloroso que carece de suporte, bondade, empatia e que, conforme não compreendido, tratado, extravasado, pode levar a complicações, merecendo atenção, mesmo que seja por motivo da perda de um animal de companhia.

Lidando com o luto de seu cliente ou amigo:

Os animais de estimação, não são somente "animais". Eles remetem a seus donos todas as vivências as quais tiveram no decorrer dos anos. São o depositário, parte do histórico de vida destes. 

"Nossos animais são parte de nós. Pela ligação de amor que temos para com eles, passam a fazer parte de nosso campo energético.Então quando partem, é natural sentir que nos falta um pedaço." (trecho do livro Eu falo, tu falas, eles falam - Sheila Waligora...)

Quando a eutanásia é o melhor caminho no ponto de vista profissional, inclua em seu aconselhamento para com o cliente que este "ouça seu coração". É preciso que ele também esteja ou seja preparado.

Administre a possibilidade do proprietário levar seu animal a morrer em seu "cantinho", após ministrada a injeção, ao invés de ser na clínica.

Humanize sua clínica.Quando perceber que um animal internado não está tendo bom prognóstico, permita que este passe mais tempo com seu animal, para que ele possa ir “se despedindo” aos poucos, e ao mesmo tempo trabalhando a idéia subconscientemente. 

Quando em caso de morte por falência vital, sem no momento o proprietário estar presente, ao dar-lhe a notícia, poupe-o dos termos técnicos e demonstre amor, empatia, coloque-se no lugar dele, livre dos seus pensamentos ou de como você reagiria. Esta linguagem é única. Compadeça de seus sentimentos. Saiba "ouvir”. Aprenda a ouvir.

Quando ouvimos, colaboramos para a auto estima da pessoa, que na recíproca, sente-se valorizada pelo que fala, acolhida.

Muitas pessoas consideram ouvir como uma ocupação passiva. Ouvir exige esforço positivo do indivíduo.No entanto, você será amplamente recompensado, uma vez que estará dando a si próprio oportunidade total para desenvolver-se como pessoa. Estará demonstrando seu próprio valor e seu respeito pelo próximo, seus pontos de vista, conhecimentos e experiência.

Somos seletivos em relação a audição e normalmente aquilo que não consideramos "interessante para nós", ao invés de aprender, explorar, rejeitamos muitas vezes, por julgar, conforme nossa concepção, menos importante...

Quantas vezes você já tentou retomar uma conversa, com uma pontinha de sentimento de culpa, por ter percebido que a outra pessoa esperava de você uma resposta ou opinião, e você nem ao menos fazia idéia do que acabara de ser dito ou perguntado?
Considerando agora outro contexto, tente pensar na freqüência com que você “viaja” mentalmente enquanto assiste a um discurso ou palestra...

Aprendemos com a troca de experiências seja num simples diálogo.Porém, nossos preconceitos nos impedem, com freqüência, de sequer dar à outra pessoa a oportunidade de falar. Antecipamos, pensando na maneira de ser daquela pessoa, o que ela poderia ter a dizer de útil e simplesmente a descartamos. Não valorizamos o que tal pessoa possa ter a oferecer. Tudo isso serve inclusive para adotar como postura em seu dia a dia.

Demonstre atenção física. Isto implica que você, como ouvinte, adota uma atitude de envolvimento: deixe evidente à pessoa que fala, que você a está acompanhando por meio de gestos ou postura. Resultados de várias pesquisas indicam que os seguintes fatores são importantes para uma atitude positiva de atenção física:
_ Olhar de frente a pessoa que fala;
_ Manter bom contato visual;
_ Manter uma postura receptiva;
_ Permanecer relativamente relaxado.

A atenção psicológica, tão importante quanto a física, envolve não apenas escutar aquilo que a pessoa diz, mas também seu comportamento não-verbal, ou seja, a maneira como diz e as mensagens enviadas por meio de sua expressão facial, postura corporal, uso das mãos e outros indicadores físicos.

Ter atenção psicológica significa não se deixar arrastar ou envolver pelo conteúdo emocional do que está sendo dito mas, ao contrário, tentar ser um ouvinte neutro, procurando compreender o ponto de vista daquele que fala: em outras palavras, estabelecer uma relação de empatia com ele. Não é fácil manter-se neutro, sobretudo se a pessoa que fala estiver usando palavras carregadas de emoção. Se você, porém, souber interpretar essas palavras e a linguagem corporal que as acompanha, não apenas passará a avaliar a mensagem mais corretamente, como também dará a si mesmo a oportunidade de perceber aquilo que falta ao discurso, o que deixou de ser dito.

Ouvir com a mente também significa buscar o sentido oculto do que está sendo dito, do que se esconde por trás das palavras e nas entrelinhas. Use sua intuição. Aprenda a desenvolver o feeling. Muitas vezes este desgaste, esta troca aparentemente dolorosa, é uma oportunidade de contato com seu emocional, que envolto à tecnologia do dia a dia, se perde dentro de si. Nestas horas, paramos para avaliar, por alguns momentos esta questão do significado para a Vida. 

Tudo é ensinamento.

Jamais aconselhe frases do tipo "depois você compra outro,ou adota outro". Seria como se você desconsiderasse os sentimentos da pessoa que neste momento necessitam ser extravasados, fechando uma porta. Avalie se, na verdade, tem-se dentro de si esta "porta" emocional fechada ou aberta. Compreenda que parte da história da pessoa se perdeu, e até que ela caia em si, de que ela não se foi, e sim "parte dela", isto leva tempo. Opte por palavras que demonstram conforto: "eu compreendo", "eu posso avaliar", "eu sinto muito"...

Naturalmente a morte é geralmente um acontecimento que está para além do controle e este sentimento é normal, compreensível e muito comum, porém deve-se ressaltar que é um processo que implica expressão da dor. 
Neste sentido se faz necessário um ambiente permissivo à expressão emocional da pessoa para que transforme, extravase este sentimento e não somatize. Retardá-lo não ajuda em nada, pelo contrário pode comprometer. Até porque negar o sofrimento é sofrer duas vezes. Esquecer e seguir em frente nunca foi um ato de coragem, mas sim a falta dela em chorar a aceitação da verdade e a ruína da idealidade. 

Entre em contato com o cliente, para uma expressão de interesse para com sua dor. Muitas vezes, mesmo que você possa "personificar" os últimos momentos do animal, apesar da possibilidade de imaginar ter incorporado más lembranças, de certa forma, este contato seu para com o dono do animal que se foi, inconscientemente “resgata, ressuscita” por alguns momentos, a vida dele, simbolicamente. E neste retroceder subconsciente desgasta a dor, por sua vez pouco a pouco. Ainda neste contato, não fale com anteparos entre si, busque o contato próximo, sem mesas, balcões ou outras "muletas", que distanciam a expressão dos sentimentos nesta relação.

Procure conhecer profissionais que atuem nas áreas de terapias complementares. Mesmo que o proprietário possa em nada seguir suas indicações, o simples interesse no indicar um terapeuta floral, por exemplo, humaniza esta relação, sendo captado pelo cliente como um interesse para com sua dor. 

Tenha em sua clínica, livros com histórias emotivas sobre animais, independente da crença que você tenha para com a relação entre a vida e morte. De certa forma, compreendendo a pessoa que teve uma perda, o simples fato de adquirir um livro, onde se penetra em toda uma nova história, traduz-se como uma troca simbólica, num substituto referencial, depositário lúdico, que irá trabalhar a perda deste animal de forma construtiva.

Informe-se sobre abrigos e ongs em sua região. Uma indicação de locais onde se aceitam visitas e trabalhos voluntários, pode também contribuir para amenizar a dor do proprietário, que canalizará seu sentimento de perda a um doar amor aos que sempre necessitam.

Trabalhe em você o que significa Vida. Trabalhe seu emocional. Isto lhe abrirá portas para seu feeling, e melhorará não só o lidar com estes casos com mais sutileza e empatia, como suas inter-relações sociais em todos os âmbitos. Acima de tudo, não negue nem petrifique suas emoções, você é humano!

Quanto à questão estrutural de sua clínica, pense em incluir na sala de espera, livros que acalmem, que proporcionem o afeto. Um ambiente calmo colabora com boas energias. Tudo aquilo que você cria à sua volta é um espelho de quem você é, daquilo que deseja transpassar...

Pense na possibilidade de criar um cantinho de meditação, zen, ou uma mini capela...Muitas vezes nos priorizamos nossa preocupação para o que está na moda, os melhores produtos do mercado, as novas tecnologias, criamos jardins, piscinas para hidroterapia, banhos disso e daquilo, tipos de tosa, etc, e esquecemos de propiciar ao cliente um cantinho de espera agradável, ao qual inclusive poderíamos também recobrar nossas energias entre um atendimento e outro, entre uma cirurgia, e outra, num local onde a fé, a meditação, a oração poderia contribuir para nosso bem estar diário...

Abaixo alguns livros sugeridos para leitura e sugestão de venda em clínicas bem como mais abaixo, um pequeno exercício para testar sua audição empática.

O maior milagre do mundo - Og mandino - download
O Monge e o executivo - james C Hunter - download
Jesus, o maior psicólogo que já existiu - download
Como ouvir as pessoas - Download
Animais, Nossos Irmãos - Eurípedes Kuhl - download
Os Animais tem Alma? Ernesto Bozzano - download
Marley & Eu - John Grogan - download

Eu falo, tu falas, eles falam - Sheila Waligora 
Tudo que vive é teu próximo -Marilea Castro -Ed. do Conhecimento
Alma dos Animais: Estágio Anterior da Alma Humana? - Paulo Neto - Editora Geec
Alma dos Animais, A Celso Martins-Editora DPL
A questão Espiritual dos Animais - e A Alma dos Animais -  Dra Irvênia Prada - Médica Veterinária
Todos os Animais Merecem o Céu - Marcel Benedeti 
Qual é a Sua Dúvida para o Tema?: a Espiritualidade dos Animais Marcel Benedeti 
Animais no Mundo Espiritual: uma História - Marcel Benedeti 
Todos os Animais São Nossos Irmãos - Marcel Benedeti
Histórias "Animais" que as Pessoas Contam - Marcel benedeti 
Errar é Humano...Perdoar é Canino!  - Marcel Benedeti
Histórias Animais que as Pessoas Contam - Benedeti, Marcel
Os Animais Conforme o Espiritismo - Marcel Benedeti

*Exercício breve para testar audição seletiva:

Permaneça sentado e imóvel por cerca de 5 minutos, com os olhos fechados. 
Concentre-se naquilo que é capaz de ouvir e então identifique tantos sons diferentes quanto for possível. Ao final dos 5 minutos, faça uma relação desses sons. Por fim, comente os resultados obtidos com seu parceiro. Que conclusões foi possível extrair com relação à habilidade de ouvir em relação à dele?

Notas: * trecho extraído do livro Como ouvir as pessoas - Ian Mackay - download acima.


Cópia e Reprodução Permitidas desde que inalterado conteúdo e mencionada a fonte: WWW.VETERINARIOSNODIVA.COM.BR e minha autoria do artigo para valorizar a continuidade deste trabalho - Se você perceber, os autores pesquisados por mim, também foram respeitados e mencionados no rodapé da página.  Obrigada!


 Referências utilizadas para Pesquisa: 


1-Eu falo, tu falas, eles falam - Sheila Waligora
http://comunicacaoentreespecies.wordpress.com/

2-Processo de luto e humanização da morte - coordenadas de um percurso emocional - Hélder J. F. Chambel
http://www.psicologia.com.pt/

3-Psicólogo Hugo Jorge - O Luto
http://dr-hugo-jorge.blogspot.com/

4-Foto do cantinho zen: Ricardo Novelli, acervo Casa e Jardim
http://revistacriativa.globo.com/


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