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Aspectos psicológicos dos Veterinários
A qualidade do bem estar/saúde deve estar presente 
em ambos os lados desta relação. 
Eles também sofrem!

Para você leitor que está conhecendo os artigos agora, neste módulo, estamos trabalhando pouco a pouco a questão do uso das terapias complementares dentro da atuação da medicina veterinária.

Até aqui, estamos abordando toda a subjetividade contida dentro destas filosofias, através de uma seqüência de artigos que envolvem um compreender mais profundamente do que há nesta relação e dela para com a Vida, nos despindo de preconceitos, paradigmas, compreendendo a nós mesmos, para assim estarmos prontos não só a utilizá-las, como também aprimorarmos as nossas relações.

Nos últimos artigos, refletimos, por exemplo, o que é o stress, o que é a doença, quais os seus aspectos psicossomáticos, como estes aspectos emocionais e ambientais geram distúrbios comportamentais nos animais, e como nossa conduta subjetiva/afetiva pode contribuir também para o surgimento do stress nos animais. Porém, embora tenhamos visto ao longo deste e-book, a questão dos animais sendo referenciada sob um outro prisma, não podemos deixar de considerar também os aspectos estressantes que os estudantes e profissionais estão sujeitos e subentender esta importância para a relação da cura.

Desta forma, passemos agora a compreender a lida destes profissionais sob um prisma talvez muitas vezes pouco avaliado por nós, servindo como material reflexivo para os próprios leitores e estudantes da área e nas conclusões finais, avaliar a importância do papel da universidade em nossa formação de personalidade, por isso, devendo salientar estes aspectos que serão abordados abaixo.

Desde o sono devido, a alimentação, a participação social e familiar, o descanso, e demais fatores, estes, devem ser, na medida do possível, planejados e avaliados, principalmente na hora deste profissional intentar sua jornada clínica. 
Uma demanda excessiva e a falta de organização podem levar a um stress, cujos processos seguem os mesmos passos descritos anteriormente nos animais e acarretam. querendo ou não, na falta de concentração, na minuciosidade do diagnóstico, no feeling quanto à anamnese do animal, mais profundamente no sucesso quanto ao alcance da cura.

Embora talvez muitos desconheçam as pesquisas a seguir, *estudos mostram que a taxa do suicídio dos veterinários é proporcional quatro vezes mais que da população geral e duas vezes àquela de outros profissionais de saúde.

O esforço de trabalho, o acesso letal da droga e a aceitação da eutanásia estão entre as forças motrizes potenciais. 

Os profissionais de cuidados médicos, incluindo doutores, farmacêuticos e dentistas, apresentam riscos mais elevados de suicídio, dizem o artigo David Bartram autores, BVetMed, DipM, MCIM, CDipAF, MRCVS, e David Baldwin, MB, BS, DM, FRCPsych, na Universidade da Faculdade de Medicina de Southampton em Hampshire, Reino Unido.

A eutanásia é um dever quase cotidiano dos veterinários, e a ação deve frequentemente ser explicada e justificada aos clientes. Esta interação, desempenho e sustentação constantes da eutanásia na população animal pode afetar as atitudes da profissão.
Embora os dados sejam vindos de pesquisa no exterior, não podemos negar toda a relevância deste assunto, já que não se têm muita divulgação de pesquisas nestes termos no Brasil,e muito possam ser escassas, não significa que esta situação não exista.

Por quê isto acontece? 

“Os cirurgiões veterinários podem experimentar a tensão incômoda entre seu desejo preservar a vida e a sua inabilidade em tratar eficazmente um animal. Esta atitude alterada com relação à morte pode então facilitar o seu inconsciente e abaixar inibições para o suicídio como uma solução racional a seus próprios problemas.”

A depressão é um suicídio de impacto do fator, e aqueles que escolhem juntar-se à profissão veterinária podem se predispor às personalidades que conduzem finalmente à depressão, dizem Bartram e Baldwin.

É possível que a escolha de uma carreira veterinária esteja influenciada subconscientemente por fatores tais como uma preferência/identificação maior para trabalhar com animais do que humanos, mas, se houver neste caso, a "fuga inconsciente" do lidar com os da mesma espécie, pode levar ao risco de doença depressiva”.

Muitas vezes também, ainda dentro do passo desta escolha profissional, pode haver o desejo, porém sem a compreensão do lidar profissional em todos os âmbitos. Este desencanto pesquisado em quase da metade dos profissionais examinados tem um impacto negativo na saúde mental total da profissão.

“Há uma necessidade para que os veterinários reconheçam problemas da saúde mental e procurem a ajuda antes que os problemas se tornem crônicos desestabilizando-os,” Baldwin e Bartram diz. 

“Mais de 80 por cento dos cirurgiões veterinários britânicos examinado,s consideram a profissão ser fatigante - especificamente mencionando horários laborais longos, expectativas do cliente, resultados clínicos inesperados, relacionamentos entre a equipe, para com o cliente, falta dos recursos, exaustão emocional, sustentação profissional inadequada, finanças pessoais, a possibilidade de queixas do cliente ou litígio e erros profissionais como os fatores de força chaves”. O que não diferencia muito de nossa realidade.

“A maioria de graduados veterinários novos transportam-se abruptamente do ambiente da universidade ao isolamento social do consultório particular geral. Muitos trabalham com pouca supervisão, não têm sempre o acesso ao auxílio de outros colegas veterinários e assim, o ocasionamento dos erros profissionais, que têm um impacto emocional considerável, podem ser fatores significativos no desenvolvimento de pensamentos suicidas”.

O esforço percebido e real é alarmante. Baldwin e Bartram perceberam na associação entre o esforço de trabalho e as taxas do suicídio, ( estudo que relata um terço dos estudantes em uma escola veterinária do Reino Unido) sintomas da depressão.

Até que o estudo de Bartram esteja completo, as razões verdadeiras atrás do risco e da taxa do suicídio permanecem obscuras. “Pode ser meramente que os veterinários tenham maior menos restrito acesso aos fármacos, ou que “a cultura da morte” na profissão, se torne tão familiar na aceitação da eutanásia. Somando-se a isto, Bartram também considera a possibilidade de alguma diferença inerente nas características psicológicas dos indivíduos que incorporam a profissão. Pode ser que outros fatores impliquem ou nenhum destes. Ninguém sabe,” Bartram diz.(1)

Desta forma, surgem algumas questões:

Estaremos a formar corretamente as futuras gerações? 

Qual a percepção que a população tem hoje da profissão? 

É esta, afinal, uma área sujeita a grandes pressões emocionais? 

Qual o valor de conceitos como competitividade, concorrência, subemprego? 

Pretendendo uma discussão sobre este tema, Carlos Antunes Viegas, do Departamento de Ciências Veterinárias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Carlos Godinho, da Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias; Ricardo Bexiga, doutorando na Universidade de Glasgow, Escócia, chegaram a pontos de vista diversos.

O ponto de partida foi um artigo publicado, em Outubro de 2005, na revista “The Veterinary Record”, da autoria de Richard E. W. Halliwell, do britânico Royal College of Veterinary Surgeons, e Brian D. Hoskin, presidente do Veterinary Benevolent Fund, com o sugestivo título “Reducing the suicide rate among veterinary surgeons: how the profession can help”.

Acrescentando mais dados sobre estes artigos pesquisados, salientam que a realidade traduzida - que apontava para valores como 3,6 a 3,7 vezes mais que a média nacional do suicídio entre homens e ainda mais elevada entre mulheres, mais do dobro da taxa verificada na profissão médica e perto do dobro da médica dentária -, é bem mais trágica e assustadora do que a princípio se podia imaginar.

Perante tal cenário, sentiram-se os autores na responsabilidade de esmiuçar um rol de propostas, filtradas de um conjunto de recomendações elaboradas no decorrer de uma série de reuniões no Royal College of Veterinary Surgeons, todas com um objetivo comum: reduzir o impacto de fatores predisponentes e melhorar significativamente a disponibilidade de mecanismos de suporte aos profissionais em risco.

Primeiro, falam na demonstração de uma relação entre o suicídio e valores elevados de QI (Voracek 2004), fator que vulnerabiliza, à partida, a profissão - apenas são admitidos nos cursos alunos com elevadíssimas médias -, ao que acresce a enorme exigência dos currículos, a qual, por seu turno, promove, ainda que involuntariamente, o atrofio do desenvolvimento comunicacional e compromete a maturidade emocional, mais ainda, sublinham, que os cursos de Medicina. 

A isto soma-se a saída abrupta dos recém-licenciados do ambiente aconchegado e protetor da Universidade, para o isolamento a que os vota a prática profissional, ela própria altamente pressionante, conforme foi notado num inquérito conduzido por Mellanby e Herrtage (2004), em que apenas 43% dos jovens profissionais afirmam contar sempre com o apoio de outros médicos veterinários. 

Finalmente, os autores referem a muito freqüente prática da eutanásia em pacientes, e a óbvia proximidade dos profissionais com agentes químicos letais, alertando para a evidência produzida de que eutanasiar animais pode influenciar o modo como se encara o valor sagrado da vida humana. Num estudo, Kirwan (2005) revela que 93% dos veterinários inquiridos afirmavam que praticariam a eutanásia em humanos, em contraste com apenas 33% dos médicos.

Depois de desenhado o cenário, Halliwell e Hoskin propõem várias ações, papeis a desempenhar por vários atores, alguns por todos. 

Começam por sugerir a definição de um currículo acadêmico estruturado para equipar os estudantes de capacidades de relativização e que lhes incuta, desde o primeiro momento, um conceito de harmonia entre trabalho e vida pessoal. 

Seguiram defendendo que as escolas deverão preparar-se para apoiar os graduados no salto para o mercado de trabalho, encontrando formas de lhes conceder melhor orientação e apoio na escolha do seu primeiro emprego e de os monitorizar no decorrer dos anos iniciais das suas carreiras. 

Instam aos mais velhos a assumir maior responsabilidade na orientação e suporte aos recém-chegados à profissão e apelam a uma maior sensibilidade por parte da classe para os sinais de perigo, enfatizando a ampla prova de que trazer estes assuntos para a luz do dia é de grande ajuda na prevenção do suicídio. E finalmente, invocam a criação de mecanismos centralizados de suporte no seio da profissão.

Para o professor da UTMAD, «há que reconhecer que existe um conjunto de fatores que influem na nossa sociedade para que haja, pelo menos, um maior número de pressões nesta profissão».

Para começar, diz, corroborado por Carlos Godinho, «a maior parte dos jovens que vem para Veterinária - entre 60 a 70% -, por segunda escolha, o que constitui, logo à partida, um motivo de frustração». Depois, «a competitividade acadêmica é hoje muito grande e noto que os jovens são muito mais estressados. Tenho, inclusive, alunos que mostram sinais preocupantes de depressão, assisto a muitas desistências logo no primeiro ano e a muitos casos de alunos que nem sequer conseguem freqüentar o curso».

A contribuir para esta situação, continua Carlos Viegas, estão os métodos de avaliação utilizados nas faculdades de Medicina Veterinária, «na sua generalidade imutáveis, medievais, inquisitoriais, que provocam um grande sofrimento às pessoas. São elas as orais, as práticas, os exames de necropsia, as lâminas… Julgo, frequentemente, que se busca um motivo para reprovar o aluno. Estamos nas trevas», comenta, acrescentando que «muitos queixam-se que têm um horário terrível e, efetivamente, são cerca de 42 horas semanais, o que é uma enormidade para quem ainda vai para casa trabalhar. Nesta idade, isto é asfixiante».

A distância entre professores e alunos é outro fator que aponta, o que é lamentável, pois como acredita Ricardo Bexiga, «os docentes podem ter um impacto elevado nas escolhas dos alunos, na sua atitude profissional futura, no seu sentido de responsabilidade e autoconfiança. E, reciprocamente, os estudantes também devem, de certa forma, condicionar a atitude dos professores».

Veterinária e futebol:

Carlos Viegas fala da sua experiência e diz que, «desde que comecei a trabalhar no Ensino, os veterinários são um grupo profissional muito complicado. Grande parte dos alunos só se manifesta sobre a matéria curricular, futebol e pouco mais! Falta dar-lhes, a meu ver, um pouco mais de vida, proporcionar-lhes o contato com outras experiências, algo que os currículos, atualmente, não permitem, porque afogam as pessoas com tanto conhecimento». 

Para si, «era importante que houvesse cadeiras de livre eleição, onde se pudesse, por exemplo, frequentar belas artes, ou sociologia… algo que precisassem para se completar enquanto indivíduos, porque tão importante quanto à técnica é o enriquecimento humano nas suas várias dimensões, e essa é uma responsabilidade que não vejo ser assumida pela Universidade; pelo contrário, noto uma quase dormência. Depois, claro, surgem as patologias, porque os estudantes não podem, não conseguem, desfrutar a vida em toda a sua plenitude».

Para o também presidente da SPCV, há, de fato, uma sobrecarga horária e um investimento de tempo em trabalho acadêmico, pelo que é natural que os estudantes sintam alguma perturbação na sua vida pessoal, mas «não sei se este será um aspecto assim tão relevante na Medicina Veterinária, ao ponto de merecer um caráter diferenciador. 
No fundo, todos sabemos que um curso superior é uma fase que implica dedicação e julgo que a gestão do tempo depende principalmente de cada um».

Para Ricardo Bexiga, mais que a criação de disciplinas de eleição pessoal, seria importante que fossem introduzidas «aulas que preparassem os futuros veterinários para lidar melhor com certas situações. 
Na instituição em que trabalho, por exemplo, os alunos têm aulas de “communicação social” que não sendo uma área estritamente técnica, é essencial para lidar com o público e não só». No entanto, reforça, «a “educação do Homem”» não é feita.

Precisam-se bússolas!

Carlos Viegas menciona ainda a criação da figura do tutor dos alunos, que Godinho vê com bons olhos, especialmente «se for realmente útil na orientação dos estudantes para o seu futuro profissional». Sim, porque, defende, «uma das grandes dificuldades atuais é que, quando as pessoas estão em plena formação, são confrontadas com um conjunto de opções profissionais que inicialmente desconheciam e a seleção apresenta-se como um desafio, pela ignorância acerca de como se constituem exatamente essas áreas. Se o tutor conseguir funcionar como bússola, só por isto já valerá a pena».

A passagem para o mercado de trabalho constitui, de fato, e conforme apontam Halliwell e Hoskin, um momento crucial na vida dos médicos veterinários recém-formados, sendo fonte de grande ansiedade.

Mas será que existem, motivos para angústia neste setor? As opiniões distanciam-se.

Carlos Viegas, defende que «existe uma grande competitividade, as pessoas têm horários de trabalho brutais, são muito mal pagas e não vêem recompensado o esforço que fizeram». Acresce o embate cru ,com a percepção de que a profissão, segundo afiança, «não é bem vista. A imagem que se tem do médico veterinário é bastante regional, distanciada das boas práticas européias e do resto do mundo; é a do marialva de patilha grande (expressão regional), que gosta muito de uma “bebidinha”, que opera à noite e vai fumando um cigarro e falando ao telefone enquanto faz a higiene de uma cavidade oral». A culpa, assume, «é, no fundo, um pouco de todos nós. As pessoas não se empenham em mostrar algo diferente, e a Ordem e outras associações da classe estão muito adormecidas, agem quase como sociedades secretas, pouco fazendo para alterar a opinião pública de que esta é uma profissão encerrada nos anos 50 e, infelizmente, a verdade é que uma grande fatia dos veterinários ainda lá está!»
E continua, referindo a sua tristeza quando tantas vezes vê na Comunicação Social veterinários a fazer eutanásias nas câmaras municipais, «com aquela crueldade! É esta a imagem que passa da profissão para a sociedade! A Ordem deveria ter a preocupação de fazer todo um trabalho de marketing para alterar as percepções acerca desta classe».

O real valor do trabalho:

Acreditam os intervenientes que a profissão está sujeita a pressões tais que possam interferir no modo como encara a vida de um modo geral? 

Por exemplo, o fato de se lidar de perto com a eutanásia pode, de fato, levar a que se olhe para a vida de uma perspectiva diferente?

Ricardo Bexiga faz a ponte com o estudo britânico e começa por referir que «o suicídio entre a classe é um problema complexo e de difícil resolução», mas «não é um assunto novo, e seria interessante saber o que se passa, por exemplo, em relação a divórcios dentro desta classe profissional. 
A Veterinária pode ser uma profissão muito absorvente em termos de tempo e dedicação, mas que pode trazer muitas recompensas. No entanto, é frequentemente colocada antes da família e dos amigos, o que a longo prazo, pode significar consequências negativas. 
É igualmente uma profissão em que continuamente se está a aprender e onde é impossível não cometer erros, o que também pode ser difícil de encarar». Para além disto, reforça, «o ambiente é hoje muito competitivo, o que, se por um lado, fomenta que muitos colegas procurem melhorar a sua formação e expandir os seus conhecimentos, por outro, infelizmente, suscita por vezes comportamentos menos éticos».

Carlos Viegas concorda que «há hoje mais ambição, coexistindo uma fraca preparação das pessoas para darem ao trabalho o valor que ele realmente tem, o que não é saudável», lamenta.

Insensíveis ao sofrimento?

Quanto à mencionada eutanásia, «e a outros assuntos por vezes mais delicados», a sua opinião acerca do modo como a profissão lida com ela fica um pouco ao lado do defendido pelos autores do estudo. «Desde que uma pessoa seja emocionalmente bem preparada e equilibrada, saberá certamente fazer a gestão pessoal dessas situações. 

Mais relevante parece-me o fato de que os médicos veterinários não estão capacitados para lidar com os proprietários de um animal eutanasiado. 
Julgo que há pouca sensibilidade para estas questões e, pelo contrário, tenho observado que os profissionais não sofrem e julgam ridículo o sofrimento dos outros. Sei que estou a ser um pouco duro nas palavras, mas esta é a realidade que tenho constatado: as pessoas são muito insensíveis ao sofrimento dos animais e dos próprios proprietários. 
Há aqui, portanto, muito trabalho a fazer».«Mas se houver uma maior tendência para o suicídio nesta classe», declara, «ela deriva das muitas depressões, essas sim existentes e tratadas com fármacos que são, muitos deles, pró-suicídio».

Para Carlos Godinho não é com ligeireza que os médicos veterinários eutanasiam um animal, mas é óbvio «que encaram a situação com alguma tranquilidade, afinal é algo decorrente da sua própria vida profissional. Não obstante, acredito que todos entendem, principalmente quando falamos de animais de companhia, que estão implicados também laços afetivos importantes». 
A sensibilidade e sensibilidades sobre o tema são, conforme se constata, muito subjetivas.2

Conclusões finais:

Dentro da realidade da formação de qualquer profissional, em especial nas áreas onde o lidar com a vida e a morte se tornam muito presentes, existe não só a demanda do ensino, quanto aspectos sócio-emocionais, que podem contribuir ou interferir para o sucesso destes futuros veterinários, se não auxiliados e amparados, se as instituições não começarem a refletir sobre esta situação. Porém, mais do que aspectos que influenciam ou interferem, devemos lembrar que elas são responsáveis pela formação moral e social dos alunos, adultos jovens, construindo sua estrutura de personalidade.

O grupo é essencial para a realização da vida do homem, e vida mental do grupo é essencial para a vida integral do indivíduo. Por outro lado, a escolha desta profissão envolve dedicação, e ao mesmo tempo escolhas diárias, como o abdicar da vida social, requerendo assim a compreensão de todos os que envolvem o ambiente social-familiar do aluno. 

Desta forma, neste novo ingressar, onde a vida social do indivíduo agora será mais presente junto aos colegas, é importante que o aspecto emocional e mental dos pertencentes estejam bem trabalhados para um amadurecimento que dá suporte à proficiência da formação. O ambiente, e sua capacidade de prover relações de qualidade e quantidade é essencial para o desenvolvimento social afetivo e cognitivo do indivíduo.

Situações em que a mentalidade do grupo permanece intoxicada por emoções desintegradoras, não sendo o grupo capaz de aliviar os estados de angústias e dar proteção aos seus objetivos e atividades, potencializam estados afetivos que incapacitam os indivíduos de dar sentido às experiências vividas, gerando frustração e ódio, favorecendo o direcionar com violência a realidade interna para a externa, dificultando o desenvolvimento da consciência e o crescimento mental.

A intensidade com que cada forma de funcionamento grupal é vivenciada e internalizada definirá padrões de integração e crescimento dos grupos. Grupos incapazes de enfrentar tensões são grupos com continente afetivo frágil para dar proteção e sentido as vivências. 

Quando a afetividade presente nos grupos se torna alterada, verificamos a expansão da destrutividade, da discriminação social, do racismo, da injustiça, dos impulsos autodestrutivos, e do relativismo ético.

Em suma, todo este processo de vínculos, de afetos ou desafetos, não incorrem somente na questão do aprendizado, dificultando ou favorecendo, mas sim na conduta de como se definirão, por identificação, suas atitudes para com a sociedade.

Outra questão importante que envolve a afetividade das pessoas é sua capacidade de vincular-se a tudo que está vivo, possibilitado por experiências de expansão da consciência. Uma precária consciência da totalidade define pessoas que vivem girando em torno de conflitos, indecisas, incertas, despreparadas, com dificuldades de ouvir os outros, dificuldade no contato, em entender a inter-relação das coisas e a si.

Neste sentido, embora a escolha desta profissão possa direcionar para uma prática voltada para o cientificismo, exigindo muito do mental de cada aluno,  por outro lado, como se percebe,  interfere muito no emocional de cada estudante, que, se não bem centrado desde sua educação familiar, como vimos no artigo "O reverso e o retorno - pag16 " deste e-book, pode contribuir para um desequilíbrio do aluno, alterando sua personalidade, já que o foco de atuação fatalmente remete a um repensar sobre valores: vida e morte constantes, podendo então desencadear processos depressivos, negligências fruto do despreparo, rejeição ou preconceito entre alunos, discriminação, ou mesmo a desistência do curso.

Outro ponto a ser observado, como vimos neste artigo, é sobre o processo do ingresso deste estudante ao universo das responsabilidades profissionais. Há um corte que deve ser trabalhado nos últimos passos ainda dentro da universidade, uma vez que sua jornada segue só e requer muita firmeza para a prontidão do lidar com vida e morte. Não é apenas praticando esporte, ou resgatando o social perdido no sentido da descontração, que se obtém um alicerce forte dentro de si. É preciso também que se alicerce mais a importância deste âmbito subjetivo que o cotidiano envolve, que se conheça mais sobre tudo o que abrange as relações as quais interage a profissão.É preciso que se estude e trabalhe mais a comunicação, em todos os sentidos, já que é o instrumento o qual este aluno irá recorrer em toda sua jornada.

Neste sentido, é faz-se necessário que se tenha em mente e na prática, um leque de profissionais “colegas” a quem recorrer antes de se tomar todas as responsabilidades para si, afinal, toda espécie de vida merece seu devido respeito. E aos colegas mais experiêntes, também necessita a instrução da importância do acolhimento.

Se você parar para observar, os profissionais mais antigos vêm de uma estrutura familiar um tanto quanto diferente da atualidade, onde alguns valores descontinuaram sua existência dando abertura à individualidade exacerbada. Este "afeto", esta estrutura familiar que vem se perdendo ao longo das novas gerações "fast food", esta ausência, acaba por interferir na formação de personalidade do aluno e consequentemente gerando o despreparo emocional e estas crises citadas em pesquisa, já que no universo social em que vivemos, fala-se muito pouco de nós e muito do superficial...

Embora tenhamos aqui no Brasil muitas atividades "sociais", como a conhecida Copavet, por exemplo, onde o espírito de liberdade e de curtição da juventude é predominante e figura como um princípio geral nos jogos universitários, ainda assim, faltam atividades e matérias que envolvam e proporcionem o lidar deste futuro profissional, no quesito do autoconhecimento, da estima, do holismo do ser, resgatando sua sensibilidade, dando a oportunidade de trabalhar oportunamente o expôr de seus medos e anseios, para além das atividades que são trocadas neste hall. Se observarmos bem, estamos sempre e o tempo todo, voltados para “fora de nós mesmos”.

De certa forma, no início do livro, falamos da importância do afeto, das relações afetivas que nutrem a vida e suas relações, bem como sobre a psicologia, a filosofia, a sociologia que podem complementar outros lados deste ser que futuramente trabalhará cotidianamente com a vida e morte, dando não só um suporte equilibrado, como também estimulando a compreensão de nossa realidade, o desejo da pesquisa, da contestação, do lado crítico do estudante, resgatando lados que são necessários para o equilíbrio do self de cada um. Cabe aqui um repensar sobre estas áreas ainda pouco trabalhadas e estimuladas dentro da universidade.

Por fim, a questão da eutanásia, inerente nesta formação, acaba por se tornar muito mais complexa e dicotômica, na mente de cada novo aluno que em sua maioria provém desta atualidade mapeada, perigando, conforme valores postos, direcionar os mesmos para uma visão deturpada que se tem para com a vida, e consequentemente para com a sociedade e em relação à sua própria existência.

Você já parou para avaliar quantos profissionais vem se interessando pelas terapias complementares? Não estaria dentro das razões, também o motivo de que todas entrelaçam em si, princípios filosóficos e até de certa forma bem mais profundos na compreensão da Vida, que abrandam e dão suporte ao que talvez falte durante o curso? 

Não há Ser que não sofra ou lamente suas perdas. 

Porém se estas não forem confessadas, extravasadas, alicerçadas, compreendidas, transmutadas, petrificarão sua essência, comprometendo suas próximas jornadas e interações com tudo e com todos. 

É preciso discernimento e paciência para assimilarmos nossos passos e galgar novos degraus, e este somente ocorre com o autoconhecimento.

 O emocional necessita da razão, a cabeça do coração, para o equilíbrio da Vida. E não é negando que se torna mais forte.”

(Safih Quelbèrt)

Na página a seguir, passaremos então a entender o luto e como crescer com esta experiência, compreendendo tudo o que envolve.


 Referências utilizadas para Pesquisa: 

1-An emerging occupational threat?
http://veterinarynews.dvm360.com

2-A “psicanálise” da profissão 
http://www.veterinaria-actual.pt/


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