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Afinal, o que é doença?

Conforme o decorrer destes artigos,  vamos nos aprofundando a perceber mais detalhadamente mais aspectos que colaboram para o surgimento da doença, seja no âmbito animal, humano, ou qualquer ser vivo.

Com isto, vamos ampliando nossas diretivas, refletindo não só que elas (as doenças), na maioria das vezes são investigadas sob uma única direção, como também que falsos paradigmas (pág 26), em relação ao que "ouvimos" dizer sobre as terapias complementares, contribuem para que estas possam trilhar caminhos tortuosos embora cientificamente comprovados em eficácia, seja como coadjuvante ou especialidade veterinária no caminho da cura.

Por um lado, o estudo comportamental dos animais, que assim contribui para um melhor conhecimento destes, principalmente em relação à especificidade de raças, origem, domesticação, e suas consequências para o surgimento de doenças comportamentais, por sua vez, se apresenta mais aprofundadamente como especialidade profissional, do que dentro do ensino de formação do médico veterinário.

Somando-se a isto, por outro lado, temos  que compreender que diante dos inúmeros aspectos abordados dentro do curso, outros obviamente acabam faltando dentro da triagem de grau de importância, em relação aos demais, como citada a questão da alimentação e stress nos animais internados (pág 30), bem como a questão da compreensão desta dinâmica casuística da doença (psicossomática)

Desta forma, apesar da justificativa compreensível diante da multiplicidade de conteúdo preparatório dentro do ensino de formação profissional, podem os profissionais, diante desta realidade, sentirem-se incertos quanto ao abordar estes aspectos junto ao proprietário do animal, prescrevendo como única saída muitas vezes os psicofármacos (antidepressores, ansiolíticos, antipsicóticos)para estes casos, onde a maioria, em longo prazo desencadeia efeitos secundários (midríase, mucosa oral seca,arritmia, retenção urinária e fecal, vômitos, letargia, sede, dependência medicamentosa, etc), suprimindo o sintoma, mas não tratando a causa. 

Ainda neste âmbito, temos que considerar a carga espessa despendida ao aluno, juntamente com a média da idade deste ao ingresso universitário, e, portanto, admitir que as experiências e descobertas, a formação crítica do recente profissional, o "feeling", acaba por vir posterior ao término do curso, através de "N" possibilidades oferecidas, juntamente com a prática. Este livro é uma forma delas, se interligando com muitas outras, convidando a um repensar sobre mais viabilidades de conduta.

Ampliando este alcance, para os proprietários desinformados, estes, por sua vez, diante dos fatos, podem buscar como soluções alternativas tanto o abandono, quando não, a eutanásia, conforme casos citados mais abaixo.

Felizmente, de certa forma, a diversidade é importante e benéfica(pag 29), mobilizando o questionamento e a busca por novas pesquisas diante destes e tantos outros casos de adoecimento dos animais, no constante interesse de tudo o que possa envolver seu bem estar..

A título de complementação superficial, a serotonina, importante neurotransmissor do sistema nervoso central, responsável pelo controle sensorial, comportamento alimentar, sono, vigília e humor e consequentes alterações comportamentais, é o alvo onde agem os psicofármacos, inibindo-a.

É o que cita a médica veterinária e professora da Facis **Dra. Sandra Augusta Pinto, especialista em homeopatia, onde em vídeo-entrevista com Dr. Mário Giorgi, professor da Faculdade de Ciências da Saúde/SP, relatando o que a levou a cursar a Homeopatia, através de própria experiência com seu cão pincher e o tratamento convencional:

Quase ao final do curso de medicina veterinária, Sandra passou a observar que seu cão estava apresentando um comportamento agressivo, com distúrbios de comportamento masturbatórios, acrescidos de ciúme. Isso começou a lhe causar grandes problemas inclusive causando muita dificuldade na convivência diária.

Levando o animal então a um colega veterinário, após discorrer todos os problemas, foi-lhe receitado um tranqüilizante com receita controlada.

Voltando para casa muito insatisfeita, passou então a questionar se não existiriam outras possibilidades terapêuticas que agredissem menos o animal, uma vez que desta única forma, o animal seria tratado com um químico (medicação), deixando-o letárgico, onde então, não estando naturalmente interativo no meio ambiente e suas relações, de forma que, quando parasse de tomar a medicação, obviamente voltaria a apresentar os mesmos sintomas.

Conhecendo então a Homeopatia, Dra. Sandra realizou um curso de especialização, e ela mesma realizou o tratamento de seu cão.

"Uma das facilidades da medicação homeopática foi o fato de poder colocar a medicação na água", revela.

Em alguns dias após o início do tratamento, já começou então apresentar indícios de melhoras quanto ao ciúme, a agressividade (destruía muitas coisas dentro de casa), ao comportamento vingativo e masturbatório, tornando-se um cachorro sociável.

Sandra ainda relata que na maioria dos casos que atende, os proprietários vem em sua procura após inúmeras tentativas convencionais, muito tempo de uso de corticóides e antibióticos que acarretam numa possível intoxicação hepática, insuficiência renal, ou seja, apresentando estado crônico da doença. Nestes casos, a involução da doença passa por um processo mais lento quando tratada com a homeopatia, uma vez considerando a baixa energia vital que apresentam após tratamento convencional, porém nos casos agudos e não crônicos, a melhora de seu quadro clínico já pode ser observada em 24 horas, quando bem ministrada a medicação homeopática.

Outros casos para elucidação, temos o de Bruce e Bob, conforme Dra.Maria Leonora Veras de Mello(8), médica Veterinária e Homeopata.

**Barney - canino, Basset hound, 3 anos.

Na época da consulta, apresentava uma história de muitos medos em casa, e na rua. Medo de carros, barulhos em geral, fumaça, mesmo o cheiro de fumaça. Do medo passou a ter atitudes violentas, por intenso ciúmes, não deixava os filhos se aproximarem da mãe, raiva sem controle, violenta. Manifestou também libido alterada e aumentada, subindo na perna das pessoas, e ameaçando-as. 

Foi então castrado, numa tentativa de ficar mais calmo. 

Não surtiu muito efeito, e uma noite, dormindo aos pés da cama do filho da proprietária, o mais novo (os demais sempre respeitou), avançou contra ele durante o sono, e o rapaz teve que ir ao hospital para dar vários pontos na cabeça. 

Os donos queriam então sacrificá-lo. 

Tentou-se como último recurso a Homeopatia. 

Os sintomas colhidos do "Repertório Homeopático Essencial" foram: Raiva_violenta, Ciúme_com_violência, Insulta, Abusivo, Rudeza, Medo_crises_de pânico, Selvageria, Contradição intolerante à, Lascivo, Acalmado não pode ser. 

Foi prescrita a medicação em dias alternados. 

Após 1 mês, o cão se mantinha estável. 

Recomendou-se então uma dose semanal, e desde então, mantém-se sem alterações.

Bob - Canino, S.R.D., aproximadamente 3 anos.

Foi recolhido das ruas e adotado para viver em uma casa de veraneio em Marica/RJ, onde os proprietários ficavam só nos finais de semana. Nestas ocasiões também iam os filhos e netos. 

Algum tempo depois de instalado, Bob começou a adquirir comportamento neurótico, correndo incessantemente atrás do rabo, por muito tempo, ou latindo para o reflexo da água da piscina na parede, e pulando ansiosamente sobre as crianças, mordendo-lhes a roupa, quando estas estavam jogando sinuca e a sombra dos tacos faziam desenhos contra a parede. 

O dono ficou com medo que ele ficasse "louco" e queria sacrificá-lo. 

Conversando durante bastante tempo, a senhora que o adotou lembrou que no início ele corria atrás do rabo quando aviões passavam sobre a propriedade. Se ele passasse em outra rota, ele não ligava. Também começou a ficar muito incomodado quando pombos ou pássaros voavam sobre o espaço aéreo da casa. Nada fazia se eles voavam sobre o terreno do vizinho. 

Havia dificuldade de medicá-lo, então foi prescrito medicamento homeopático na água de beber, diariamente, considerando que pudesse ter medo do avião cair sobre ele, desencadeando uma série de sintomas comporamentais. 

Muitos meses depois, estava muito mais calmo, e mantinha-se bem na família.(8)

**Conforme cita Dr. Elias Carlos Zoby, presidente da Associação Medica Veterinária Homeopática do Brasil (AMVHB - 2005),para tratamentos de seborréia, uma das mais frequentes queixas nas clínicas veterinárias, dentre outras, utiliza-se corticóides.

Todas essas drogas que geralmente [mas não todas] terminam com 'sona' [dexametasona, betametasona etc.], suprimem temporariamente os sintomas da inflamação mas de forma alguma isso é um tratamento racional nem sequer do ponto de vista alopático.

Enquanto nos cães normais a epiderme [camada superficial da pele] se renova a cada 3 semanas, num cão seborréico isso se dá a cada 3 ou 4 dias. Junta-se a isso a proliferação de germes: bactérias, formando pequenas pústulas com pus; fungos, causando queda de pêlos em áreas circunscritas e mais descamação seca. O mal cheiro e queda de pêlos generalizada ocorrem em todas as doenças de pele dos animais que sejam acompanhadas de coceira intensa.

Os corticóides, drogas utilizadas nestes casos acima por exemplo, possuem uma ação hormonal, onde, se elas forem dadas em excesso, e isso é o mais comum na veterinária, vão impedir o funcionamento da glândula responsável pela produção do hormônio natural equivalente, no caso o cortisol. Isso vai causar inicialmente uma doença chamada SÍNDROME DE CUSHING, cujos sintomas iniciais são: aumento de apetite e sede, engorda. 

O próximo passo, se ele não morrer pela própria síndrome, vai se tornar diabético.

De acordo com o Dr., o tratamento homeopático, com a escolha do remédio sendo feita baseada nos sintomas peculiares daquele indivíduo doente geralmente cura a seborréia. Demora, mas chega lá!(9)

Diante destes exemplos, cabe aqui uma pergunta, antes de passarmos mais a diante:

  Estaria então ficando mais claro para você leitor, de que aquilo que devemos eliminar não é o sintoma mas sim a causa, inclusive para melhor embasar e direcionar os avanços e interesses tecnológicos e fármacos? 

Passemos então a compreender o que é a doença, afinal.

**A palavra doença significa, pois, a perda de um estado de harmonia, ou ainda, a perturbação de uma ordem mantida em equilíbrio até então.

A perda de harmonia produz-se ao nível da consciência - no plano da informação - e no corpo ela apenas se mostra. Por conseguinte, o corpo é o veículo da manifestação, ou realização, de todos os processos e câmbios que se produzem na consciência.

Quando um sintoma se torna manifesto no corpo, ele chama a atenção, interrompendo (em maior ou menor grau) a continuidade da vida diária, muitas vezes com brusquidão. 

Um sintoma é um sinal que atrai a atenção, o interesse e a energia, e impede, portanto, o decurso normal da vida. 

Um sintoma exige a nossa plena atenção, quer o queiramos quer não. Essa interrupção que nos parece vinda de fora produz em nós um mal-estar e a partir desse instante o nosso objetivo passa a ser apenas um: eliminar o mal-estar. 

A medicina tem procurado convencer os doentes, desde o tempo de Hipócrates, de que um sintoma é um fato mais ou menos fortuito cuja causa se deve procurar nos processos funcionais que ela investiga com tanto empenho. Ela evita cuidadosamente qualquer interpretação do sintoma, relegando o sintoma e a doença para o campo da incongruência, onde o sinal acaba assim, por perder a sua verdadeira função - os sintomas convertem-se em sinais incompreensíveis.

Tomemos um exemplo: um automóvel possui vários indicadores luminosos que se acendem apenas quando existe alguma anomalia grave no funcionamento do veículo. 

Se, durante uma viagem, um desses indicadores se acende, ele contraria os nossos intentos. 

Em virtude do sinal, sentimo-nos na obrigação de interromper a viagem. 

Por mais que nos incomode parar, compreendemos que seria um disparate nos zangarmos com a luzinha; ao fim e ao cabo ela está a nos avisar da ocorrência de uma perturbação que nunca descobriríamos com a rapidez suficiente, na medida em que se encontra em algum recanto escondido e "inacessível".

 Interpretamos, portanto, o aviso que nos é dado como uma recomendação para chamarmos um mecânico que arranje o que houver para arranjar de maneira a que a luzinha se apague e possamos seguir viagem. Indignar-nos-íamos, porém, e com razão, se, para o conseguir, o mecânico se limitasse a retirar a lâmpada. 

É óbvio que o indicador deixaria de sinalizar - e era bem isso que pretendíamos, o procedimento utilizado para consegui-lo seria, no entanto, demasiado simplista. Mais correto seria eliminar a causa que fez com que se acendesse o sinal, e não, retirar a lâmpada. Para tal, no entanto, será necessário desviar o olhar do sinal e dirigi-lo para zonas mais profundas a fim de averiguar o que é que não funciona. O sinal apenas queria avisar-nos e fazer com que nos perguntássemos o que é que não ia bem.

O sintoma, na temática que ora abordamos, não é mais do que o tal indicador luminoso do exemplo que acabamos de dar. Aquilo que se manifesta no corpo sob a forma de sintoma é a expressão visível de um processo invisível que pretende interromper através desse seu sinal a nossa rotina habitual, avisar-nos de que há uma anomalia e obrigar-nos a indagar qual possa ser

Também neste caso seria uma idiotice zangarmo-nos com o sinal, e não menos absurdo procurar suprimi-lo, impedindo assim a sua manifestação. Aquilo que devemos eliminar não é o sintoma mas sim a causa. Por conseguinte, se quisermos descobrir aquilo que o sintoma nos está a sinalizar, teremos de desviar o olhar do sintoma e procurar mais além.

Porém, a medicina moderna afigura-se incapaz de dar tamanho passo e é aí que reside o seu problema: deixa-se deslumbrar pelo sintoma. Por essa razão equipara sintoma e doença, ou seja, é incapaz de separar a forma do conteúdo. É por essa razão que não se regateiam os recursos da técnica para tratar órgãos e partes do corpo, ao mesmo tempo que se menospreza o Ser que adoece.

Em resumo, a doença é um estado que indica que o Ser deixou de estar em ordem ou em harmonia ao nível da sua consciência. Essa perda do equilíbrio interno manifesta-se ao nível do corpo sob a forma de sintoma. 

Nessa perspectiva, o sintoma é um sinal portador de informação, uma vez que através da sua aparição interrompe o ritmo da nossa vida e obriga-nos a ficar dependentes dele. 

O sintoma assinala-nos que, enquanto Seres dotados de alma, estamos doentes, ou seja, perdemos o equilíbrio das forças da alma. O sintoma informa-nos de que algo falta. Acusa um defeito, uma falha. A consciência apercebeu-se de que para permanecermos sãos há algo que nos está a faltar. Essa carência manifesta-se no corpo enquanto sintoma. 

Quando o indivíduo compreende a diferença entre a doença e o sintoma, a sua atitude básica e a sua relação para com a doença modificam-se rapidamente. Deixa de considerar o sintoma como o grande inimigo cuja destruição deve ser o seu objetivo prioritário, passando antes a encará-lo como um aliado que o poderá ajudar a encontrar aquilo que lhe falta para poder levar de vencida a doença. 

Nessa altura, o sintoma será como o Mestre que nos ajuda a estar atentos ao nosso desenvolvimento e conhecimento, um Mestre severo que será duro conosco se nos negarmos a aprender a lição mais importante. A doença não conhece outro objetivo que não o de nos ajudar a reparar as «carências» e a tornar-nos sãos.

O sintoma diz-nos o que é que nos falta para o compreendermos. No entanto, para isso, precisamos reaprender a linguagem dos sintomas. 

Dizemos reaprender na medida em que essa linguagem sempre existiu e, portanto, não se trata de inventá-la mas sim de recuperá-la. A linguagem dos sintomas é de cariz psicossomático, quer isso dizer, conhece a relação entre o corpo e a mente. Ao redescobrirmos a ambivalência da linguagem, de imediato conseguimos voltar a escutar e a entender aquilo que nos segredam os sintomas. 

O curso da medicina acadêmica vem falando em curar sem nunca tomar em consideração o plano interativo, corpo - emoções - ambiente, onde a cura é possível. Sempre que a medicina não manifeste a pretensão de curar através da sua atuação, não a criticaremos. A medicina limita-se a adotar medidas puramente funcionais que, enquanto tais, não são nem boas nem más, tratando-se apenas de intervenções viáveis no plano material. 

Nesse plano a medicina pode ser, inclusive, prodigiosamente eficaz; não se podem criticar em bloco todos os seus métodos, e se houver necessidade disso, será unicamente quanto ao próprio, nunca em relação à generalidade. Subjacente está, pois, a questão de saber se se envereda pela tentativa de mudar o mundo através de medidas funcionais, ou se se chegou ao entendimento de que semelhante propósito é vão e se desiste.

Quem tenha seguido o nosso raciocínio, terá percebido que a nossa crítica se dirige tanto à medicina natural como à medicina acadêmica, pois que aquela também procura chegar à «cura» através de medidas funcionais e fala em impedir a doença e na necessidade de se levar uma vida saudável. A filosofia é, em suma, idêntica; a diferença residirá apenas no fato de os métodos serem menos tóxicos e mais naturais. 

Os animais domésticos possuem uma estreita relação com seus donos, podendo-se dizer que estabelecem uma certa unidade, onde dono e animal constituem uma célula, à qual se adapta polarizadamente. O ritmo constitui o esquema básico de toda a vida. Se destruímos o ritmo, destruímos a vida, porque a vida é ritmo. Para a sua existência um pólo depende do outro. Se subtrairmos o primeiro, o segundo desaparecerá também. A eletricidade, por exemplo, gera-se através da tensão que se estabelece entre dois pólos, se retirarmos um dos pólos, deixa de haver eletricidade.(1)

Por trás de cada polaridade, compreende-se uma unidade, a qual, uma vez em desordem, afeta a outra polaridade, então afetando a relação entre elas, ou seja, a célula em si, onde o mais fraco, abre portas para o desequilíbrio, originando muitos sintomas e doenças, na tentativa inclusive do aprendizado em ambas as partes.

**Ao longo do tempo, as doenças dos animais domésticos vêm sofrendo modificações. Mais doenças infecto-contagioso surge ou ressurgem dos tempos; muitas doenças degenerativas vão se instalando e, mais ainda, doenças de fundo psicológico e emocional vão se delineando também na medicina veterinária.(6)

Mas o processo de domesticação poderia modificar o comportamento de um animal a ponto de torná-lo semelhante ao domesticador?

**Segundo Fox como conseqüência da domesticação (seleção genética, alteração do ambiente social e ecológico) os animais podem ao longo de sua história filogenética e/ou ontogenética:

1) Sofrer atrofia ou hipertrofia, aumento ou diminuição no limiar de resposta a estímulos de padrões comportamentais
2) Omitir, reordenar ou exagerar um ou mais componentes de uma seqüência comportamental
3) Desenvolver ritualização ou emancipação de um padrão ou componente
4) Desenvolver novos padrões comportamentais resultantes do processo de desenvolvimento. 

É preciso lembra-se que tais modificações são resultado de uma seleção artificial e portanto acentuaram ou atenuaram propositadamente ou não alguns padrões comportamentais impróprios do cão. O estudo do processo evolutivo nos mostra que sempre que a seleção natural ocorreu, as modificações comportamentais estavam dentro de um contexto ecológico adaptativo relevante, isto é tais comportamentos serviram a melhoria da eficiência de uma função original com vistas na aptidão abrangente (sobrevivência e reprodução).

No caso da seleção artificial os objetivo são outros. São objetivos que visam funções de caça, tração, pastoreio, companhia e estética. Assim surgiram cães das mais diversas raças e para as mais diversas funções. Desse modo alguns componentes de padrões comportamentais foram modificados. Assim podemos ver o Border Collie fazer sua função de pastoreio com grande habilidade, cercando e encurralando ovelhas mas diferentemente de seus parentes distantes, os lobos, não as atacam e comem.

Em alguns casos a seleção artificial privilegiou aspectos estéticos e deixou de considerar aspectos comportamentais. Um exemplo disso é o poodle, selecionado originalmente para a caça hoje um cão de companhia e beleza. Na busca de uma melhoria em suas características exteriores houve uma seleção involuntária de indivíduos com agressividade mais acentuada. Hoje o que pode se assistir são cães de grande beleza mas que comumente atacam e mordem seus donos. Neste caso assim como em outros casos não houve o surgimento de novos padrões comportamentais, mas sim um redirecionamento daqueles originais. É neste sentido que a etologia como modelo metodológico pode contribuir no entendimento do comportamento dos cães domésticos especialmente nos casos em que o animal exibe comportamento não desejados ou patológico.

Muitas vezes também o veterinário pode interpretar, avaliar ou tentar decifrar o comportamento animal de maneira projetiva ou usando a si mesmo como referência..

O erro da visão antropomórfica não está no fato de se encontrar similaridades ou homologias entre o comportamento do homem e dos animais ou porque o animal evoca sentimentos de empatia, mas no fato de se justificar o comportamento animal de acordo com valores próprios do ser humano.

Quando se considera a importância adaptativa do comportamento atual de um animal deve-se lembrar que estas foram adquiridas durante a história evolutiva da espécie (filogênese) e de desenvolvimento individual (ontogênese). Uma forma de estudar essa evolução é comparar o comportamento de espécies próximas. Neste caso o estudo de lobos e outros canídeos pode nos auxiliar a entender o significado de certos fenômenos comportamentais, seu significado ou valor adaptativo a um ambiente particular e ao ambiente social. (7) 

**O comportamento do cão está diretamente ligado à personalidade de seu dono e à educação que recebe. Desde os primórdios, os animais domésticos, por natureza, buscam alguém dentro do lar como "modelo" a ser seguido e se espelham nas atitudes desse líder para realizar suas funções. O "chefe" pode ser a mãe, o pai ou o filho, dependendo da visão do animal em relação aos estímulos percebidos em casa.

Há quem pense que o cão não consegue ficar sozinho nem por um instante e dedica 100% das atenções ao animal. Outros educam o companheiro entre um intervalo e outro de suas atividades, mas existem também aqueles que com o passar do tempo, se enjoam do 'bichinho' e passam a negligenciar as necessidades do animal.

Um cão educado é um cão saudável. Não se trata apenas de saber sentar, deitar, correr, buscar ou se fingir de morto. É preciso que o animal esteja em perfeita sintonia com o dono, com o lar e consigo mesmo, evitando assim o surgimento de doenças comportamentais.

**A depressão canina, por exemplo, é uma das áreas mais discutidas hoje pela medicina comportamental em congressos e encontros veterinários. Ela é caracterizada como distúrbio neurofisiológico que pode se desenvolver de várias maneiras no animal, quando submetido a situações de estresse, medo ou ansiedade. "O animal começa a apresentar sinais de inabilidade na realização de algumas atividades biológicas e até mesmo passa a se isolar socialmente", revelou a médica veterinária Juliana Elisa Silva .

O distúrbio pode ser causado por vários fatores, entre eles a morte de algum membro do grupo, a introdução de um novo animal em casa, mudanças de ambiente e longo tempo afastado do dono. "Quando o proprietário opta por deixar o animal em um hotel para cachorros ou com alguma outra pessoa que fuja a sua hierarquia, certamente pode apresentar um quadro depressivo", disse Juliana.

O cão foi feito para ser livre e independente, se for educado dessa maneira, não há grandes problemas de adaptação a tais situações. "Um cão muito submisso, que foi criado no colo e com muito mimo sentiria muito mais do que outro com alto grau de independência. Nesses casos, a família pode ser um dos fatores responsáveis para que o animal desenvolva a depressão", revelou a veterinária.

De acordo com Juliana, a maior parte dos cães consegue ficar sozinhos por bastante tempo, porém aquele animal que é mais dependente do dono, que chora quando eles se separam por alguns minutos está mais propenso a desenvolver a enfermidade. "Mesmo quando o dono não for se ausentar é importante desenvolver atitudes como pegar a chave do carro, andar pela casa, por exemplo. Assim o animal começa a perceber que é uma prática normal e ele entende que, quando realmente precisar ficar em casa, será somente por algumas horas", disse.

Em muitos casos o animal passa a apresentar a "ansiedade de separação" e pode vir a morder as patas e até mesmo destruir seu local enquanto o dono está fora. Segundo Juliana, se desde filhote o cão percebe que durante algumas horas ele vai ficar só, ele vai se adaptar. "O proprietário deve deixar sempre à disposição do animal opções para ele se distrair enquanto estiver sozinho."

Depressão canina não é brincadeira. Assim como nós, os animais também sofrem de doenças comportamentais e exigem mais atenção. Um bom relacionamento entre o cão e o dono é fundamental para o equilíbrio físico, emocional e psicológico de ambas as partes.(2)

*James Morrisey, veterinário na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Cornell (EUA), afirma que cães e gatos são muito bons em pegar o estresse das pessoas, assim como as aves.
"Eu tenho trabalhado com um papagaio que vivia com uma mulher que teve uma convulsão, o papagaio podia dizer quando ela estava prestes a ter um ataque e avisá-la", afirmou Morrisey em entrevista ao site Live Science.

Além de transportar os encargos das pessoas, os animais - especialmente criaturas selvagens - têm suas próprias fontes de estresse. E para estes seres que dispõem de mecanismos não-mentais para perceber o mundo à sua volta, não é nada fácil lidar com isto.
Estados depressivos podem alterar comportamentos, mudar atitudes e predispor a doenças. Ansiedades podem provocar diarréias, apatias, automutilação e a agressividade também pode aumentar.

Assim como os humanos, os animais podem ficar estressados por várias razões. 

Um estudo de 2004 sobre doenças relacionadas com estresse nos gatos domésticos constatou que a maior fonte de estresse para estes animais é o relacionamento hostil com outros gatos em casa.

"Apesar de muitos proprietários de gatos que participaram do estudo terem relatado que o problema mais comum observado foi o medo de desconhecidos, este tende a ser um fator de estresse em curto prazo", disse o pesquisador Danielle Gunn-Moore, da Universidade de Edimburgo Royal (Dick ). "Se um gato está vivendo com outro gato onde há um conflito, esta é uma situação crônica que provoca estresse de longo prazo".

E 2006 um estudo descobriu que os cães nos abrigos sofriam com os excessivos latidos dos outros cães. "Enquanto trabalhadores podem usar protetores auriculares, os cães não têm essa possibilidade", disse Coppola Crista, um professor adjunto do departamento de medicina veterinária na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.
"Ruído excessivo nos abrigos causam o estresse e podem levar os cães a terem reações comportamentais e fisiológicas", disse Crista.

Segundo o veterinário Luiz Antonio Scotti, professor adjunto de ética e bem estar animal da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) no Rio Grande do Sul, a principal linguagem do animal é a expressão corporal, os donos dos animais devem observar estas reações, e também respeitar as cinco liberdades animais", que são elas:
1- Ser livres de medo e estresse
2- Ser livres de fome e sede
3- Ser livres de desconforto
4- Ser livres de dor e doenças
5- Ter liberdade para expressar seu comportamento natural

O animal doméstico precisa de espaço e de cuidados. De acordo com o veterinário, devemos entender que eles também são seres vivos com necessidades individuais. "Por exemplo, um animal que vive em um ambiente estressado, também vai sofrer do mal, e desenvolver doenças relacionadas" diz Scooti.

Mudanças ambientais também podem causar estresse nos animais. Segundo o veterinário, da mesma forma que os seres humanos nos acostumamos com os lugares e sentimos dificuldade de adaptação, os animais também sentem essas mudanças, alterações bruscas de temperatura também podem afetar os animais.

Os animais selvagens em cativeiro, geralmente sofrem de estresse por mudanças ambientais, são muitas vezes colocados em locais impróprios, sem espaço suficiente.

Mark Wilson, neurocientista da Universidade da Geórgia, participou de estudos com macacos fêmeas da espécie Rhesus. Os macacos fazem naturalmente uma hierarquia e algumas fêmeas dominam os outros animais, que ficam subordinados.

"Subordinadas, as fêmeas tendem a mostrar maior ansiedade comportamentais - coisas como coceira excessiva, corpo tremendo e a excesso de auto-limpeza", disse Wilson.

"Basicamente, a vida de uma fêmea subordinada parece ser mais estressante", diz o neurocientista.
"Os animais tendem a viver vidas bastante estáveis. Dito isto, porém, perigo e estresse são uma parte da vida quotidiana dos animais".(5)

*Recentemente em Portugal, em 29 de maio de 2008, houve o VI Congresso Medicina Veterinária da AEICBAS: Sensibilizar para as doenças comportamentais.O encontro conseguiu “superar”, em termos de adesão, os anteriores. No ano passado foram 180 e, nesta edição, 220», sublinha o coordenador geral Eduardo Gomes.

Conforme afirma, existe uma grande falta de informação neste âmbito, onde muitas vezes a questão é que o veterinário sabe que o animal tem uma patologia comportamental, consegue identificá-la, mas não a sabe resolver.(3)

Os trechos abordados no referido congresso seguem abaixo:

Comportamento e envelhecimento:

Com um currículo distinguido a nível internacional, na sua primeira comunicação do encontro Gary Landsberg falou sobre as doenças comportamentais que afetam os animais no fim das suas vidas. É o caso da disfunção cognitiva, ou seja, «a deterioração do cérebro do animal à medida que este envelhece». De uma forma genérica, esta patologia «traduz-se num declínio em relação aos estímulos», mas também «em relação à aprendizagem e à memória».

Segundo o especialista, «a única forma de diagnosticar esta doença é através da eliminação da possibilidade de outras patologias que podem causar os mesmos sinais», daí a importância do diagnóstico de exclusão. «Qualquer alteração a nível comportamental no animal de companhia pode dever-se a um problema médico, cognitivo, neurológico, comportamental e, especificamente no cão sênior, a muitos problemas. Só porque tem artrite ou problemas renais, não significa que não tenha disfunção cognitiva. A dificuldade está em fazer a separação». 

O especialista aconselhou a realização de questionários a donos de animais de companhia mais velhos: «o importante é perguntar», sublinhou. E deixou a indicação de fontes de informação sobre clínica veterinária, como o portal www.vin.com (site em inglês) que apresenta a revisão de procedimentos apresentados em conferências, e onde podem ser deixadas questões também por estudantes, cujo acesso é gratuito.

A companhia dos animais:

Jon Bowen, diretor do Serviço de Referência em Medicina Comportamental, do Royal Veterinary College, começou por referir que, enquanto os cães foram domesticados há mais de 40 mil anos, «para, ao que se sabe, servir de entretenimento e de alimentação», os gatos associaram-se voluntariamente aos grandes aglomerados de pessoas onde podiam encontrar roedores.

Esta é uma das razões por que este felinos mantêm os comportamentos dos seus ancestrais: são caçadores solitários, alimentam-se sozinhos e gostam de apanhar presas vivas, o que «tem consequências, por exemplo, ao nível do metabolismo, logo da terapêutica». 

Não sendo animais realmente domesticados, muito do seu comportamento é selvagem: «o que é extraordinário neles é que as mudanças ao nível do ambiente doméstico podem produzir alterações profundas no seu comportamento».

O especialista aproveitou para deixar recomendações que podem ser transmitidas pelos médicos veterinários nas consultas: é importante existir mais comida do que aquela que é necessária, já que os gatos comem entre dez a quinze vezes por dia; todos os recursos que compõem o seu território devem estar distribuídos de forma a terem acesso imediato; em média, os gatos passam 12 horas por dia a descansar, sendo por isso importante garantir um ambiente confortável. Estes felinos sentem-se seguros em ambientes altos e, regra geral, procuram lugares individuais para descansarem.

Nutrição “como terapêutica”:

Margarida Tomé falou sobre os sinais de dor associados à dificuldade de mobilidade no cão e no gato e na forma como esses mesmos sinais clínicos são manifestados. 

A temática do painel eram as patologias osteoarticulares que, segundo a médica veterinária, são «a principal causa de dor crônica nos cães». Mas ao passo que neste animal de companhia é mais fácil perceber alterações de comportamento, no caso do gato a dificuldade aumenta, daí a importância da aplicação de questionários de mobilidade; depois existe a imagiologia, que poderá comprovar, ou não, o diagnóstico.
No caso de este se confirmar, a veterinária aconselhou a utilização de dietas baseadas na nutrigenômica, que já estão disponíveis no mercado. Uma vez que a cirurgia não é aplicada nestes casos, «esta pode ser uma opção para minimizar a dor e melhorar a qualidade de vida do animal», defendeu.

Educar comportamentos:

O último painel foi um diálogo entre indivíduos que lidam com o cão: o dono, o veterinário e o instrutor. A discussão girou em torno da importância da educação do animal no contexto da doença, uma idéia «que esteve presente em todo o encontro», e que foi sublinhada pela regente das disciplinas de Etologia do curso de Medicina Veterinária do ICBAS, Liliana de Sousa. «O ensino das regras deve ter início logo no primeiro segundo em que o animal entra em casa. Controlar o local onde o cão faz as micções, por exemplo, é um objetivo que pode ser alcançado em apenas três dias», sublinhou, por seu lado, o treinador e instrutor canino Hugo Roby.

Os oradores identificaram problemas que exigem uma intervenção mais complexa junto dos cães, como é o caso das patologias associadas «às agressividades», as quais «representam a principal causa do número de eutanásias destes animais», alertou Liliana de Sousa. E embora as soluções dependam dos casos, passam quase invariavelmente pela «mudança do ambiente doméstico» ou pela forma como se comunica com o animal, e que tem que ver com aspectos como «o olhar, a postura e a linguagem gestual», disse Hugo Roby.

A importância da estimulação dos sistemas sensoriais do cão e do incentivo à socialização como forma de prevenir fobias foi outro aspecto discutido.

 «A partir do momento em que o cão entra na puberdade, o que acontece por volta dos seis meses, torna-se muito difícil reverter a fobia. Até essa altura, ela pode ser tratada com sucesso em mais de 90% dos casos», disse Mónica Roriz, responsável pela Puppy School, do Hospital Veterinário do Porto. «Os cães que têm grande sensibilidade a sons domésticos, por exemplo, podem ser sujeitos a um tratamento de dessensibilização ao som».

A terminar, Liliana de Sousa lembrou o papel «quase político» que o veterinário deve ser capaz de assumir, no sentido em que «tem muitas vezes de convencer o dono a mudar de atitude perante o animal e a dar-lhe formação», a «saber o mais possível sobre o criador» e, no caso de estar perante uma patologia, «aconselhá-lo a procurar instrutores».

A Professora do ICBAS felicitou ainda os estudantes pela capacidade de organização e «pela realização de um congresso sobre um tema que não é comercial».

De referir que, além dos oradores já mencionados, intervieram no encontro Fátima Silva, no painel “Casos Clínicos de Cães e Gatos”; Isabel Santos que falou sobre a “Cistite Idiopática Felina”; e Sue McDonnell que, além de ter acompanhado os casos práticos sobre cavalos, apresentou as prelecções “Is it Physycal or Psycological”, (Isto é Físico ou Psicológico?)“Equine Cognition – How do Horses Think and Learn?” (Cognição Equina - Como fazer cavalos pensarem e lerem?), e “Five Most Common Behavior Problems in Horses – Evaluation and Therapy”(Os 5 principais problemas comportamentais em cavalos).(3)

Como podemos perceber, estudar o comportamento dos animais é uma matéria de especialização, e relacionamentos conflitantes entre proprietários e animais de estimação podem ser minimizados.

**Nos dias de hoje, a medicina veterinária adota também práticas há tempos utilizadas na medicina humana, como a terapia natural, tentando um olhar de forma holística ao animal, e se dedica muito mais à prevenção do que ao tratamento das doenças de modo geral.(6)

**O modelo metodológico e conceitual da etologia parece ser mais eficiente como ferramenta para o veterinário homeopata possa alcançar a meta da individualização e chegar a uma compreensão dos animais, no que se refere ao fenômeno comportamental

A etologia fundamenta-se em um modelo sistêmico biológico, isto é considera o sistema orgânico como um todo que se relaciona tanto com o meio interno como com o externo. 

A ênfase é dada na observação e descrição do comportamento dentro de um contexto natural evitando pressupostos a priori. Aplica ao comportamento uma perspectiva essencialmente biológica de modo que as reações dos animais são vistas como aspectos dos fenômenos vitais. Sujeita portanto, as influências dos mecanismos de seleção natural isto é: assegurar a sobrevivência (adaptação e reprodução) do organismo num hábitat determinado.

Ao realizar o estudo comparativo das manifestações comportamentais dos animais pode-se observar similaridades. Todos podem ter comportamento territorial, sexual, apetitivo, social, mas que irão se manifestar de forma particulares segundo a raça, espécie, ou indivíduo, de acordo com o processo evolutivo e segundo o processo particular de adaptação ao meio ambiente, mesmo no caso em que a seleção foi artificial.

Por isso é preciso se conhecer bem todo o repertório de comportamentos próprios da espécie bem como todos aqueles considerados como problemáticos ou adaptativos.

O veterinário de aposse deste modelo metodológico deveria aplicá-lo em sua clínica diária para aprofundar o conhecimento do animal que está tratando e assim escolher o medicamento homeopático mais adequado. (7)

**Ao prescrever, se baseia em dados clínicos e anamnéticos individuais, que obtém após detalhado questionário sobre a vida do animal desde que nasceu até o aparecimento dos sintomas que incomodam no momento, sobre a relação comportamental do animal com o meio em que vive e às pessoas que convive, até um exame clínico completo e a observação minuciosa do animal e seu proprietário.

A anamnese (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória é uma entrevista que busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e o animal doente) e o exame físico detalhados e completos podem levar ao diagnóstico em muitos casos, evitando-se, por muitas vezes, testes diagnósticos desnecessários e gastos inúteis para o proprietário.

É sob esse prisma que se pode afirmar que a vida animal se inicia antes mesmo dele ser concebido.(6)

Conclusões finais:

Como vimos, os problemas comportamentais dos animais, podem ser conduzidos e minimizados em efeitos colaterais, se o veterinário puder se aprofundar na anamnese do animal, levando em conta aspectos da evolução,  da domesticação das raças, a influência da seleção artificial, o desenvolvimento individual, o significado do  ambiente social, decifrando o comportamento animal de maneira projetiva. (Lembremos, conforme acima, de que há uma relação, interação entre o emocional, o ambiente, com o estado emocional do animal, desencadeando doenças).Porém isto só será resultante de um preparo maior quanto a conduzir este diagnóstico junto ao proprietário, se também este observa o cotidiano de seu animal, em outras palavras, seu bem estar.

**Necessário se faz pensar sempre “O que este animal está expressando com esse comportamento?“ Ou, melhor, “O que ele está querendo dizer com isso?” 

Nossos irmãos inferiores na escala biológica têm os mesmos sintomas que nós apresentamos, ressalvadas as diferenças anatômicas e fisiológicas.(9)

É importante abrir a possibilidade do auxílio de outras ferramentas complementares minimizando os efeitos tóxicos e colaterais dos fármacos administrados, que suprimem o comportamento,  não tratando a causa.

Os animais domésticos possuem uma estreita relação com seus donos, onde o sintoma é um sinal portador de informação, indicando a perda do equilíbrio desta relação. Neste caso, é preciso a perfeita sintonia entre ambos para que o equilíbrio volte a existir, e a doença atinja sua cura.

Por fim, há uma necessidade maior da compreensão tanto em relação aos proprietários, quanto aos próprios profissionais, em considerar todos os fatores desencadeantes do stress no animal originando psicossomas(os proprietários em observar e fornecer condições ao seu bem estar, e os veterinários em minuciar a consulta), bem como um reavaliar do que significa propriamente a doença, abrindo a possibilidade de outros horizontes e enfoques que abranjam as variáveis e possíveis causas as quais  limitam muitas vezes a forma de tratamento e compreensão cartesiana, claro, considerando que o ensino prepara o profissional, mas cabe  a este, o buscar constante aperfeiçoamento, não só ao que diga respeito à novas tecnologias quanto à aspetos que, por mais que possam parecer "simples", possuam alcances profundos, envolvendo e contribuindo no que considera-se doença e bem estar.

Fica aqui uma pergunta:

Faltaria neste quebra-cabeça uma importante peça, a qual nos defendemos com anteparos e vendas, deixando assim de compreender o alcance da Vida mais profundamente, racionalizando, tecnologizando,desvinculando componentes que interligam e interferem na saúde de todo Ser Vivo?

"Não há um “e” entre o plano material e o espiritual, entre o visível e invisível, nem mesmo um hífen entre eles. Espiritual significa o centro de seu ser, enquanto material é a circunferência de seu ser. A circunferência não pode existir sem o centro, assim como o centro não pode existir sem a circunferência (Adsaran). (4)

*Um eremita estava sentado em meditação na sua gruta, quando um rato se aproximou e começou a roer-lhe a sandália. O eremita abriu os olhos, exaltado:
- Porque é que me incomodas na meditação?
- Tenho fome! - respondeu o rato.
- Vai-te daqui, ignorante - ordenou o eremita. - Busco a unidade com Deus. Como é que te atreves a incomodar-me?
- E como é que pretendes encontrar a unidade com Deus se nem comigo consegues sentir-te unido?

Cópia e Reprodução Permitidas desde que mencione a fonte: WWW.VETERINARIOSNODIVA.COM.BR e minha autoria do artigo para valorizar a continuidade deste trabalho - Se você perceber, os autores pesquisados por mim, também foram respeitados e mencionados no rodapé da página. Obrigada! 


Notas: 

**Dia 21/11 é o Dia nacional da homeopatia
Confira em Cursos e Informativos, no índice deste e-book, várias novidades!

***A FMVZ/USP e Mackenzie costumam realizar diversos cursos na área de etologia e outras especializações ***


Material de Apoio para Download 

e Referências utilizadas para Pesquisa: 

BEM-ESTAR ANIMAL: CONCEITO E QUESTÕES RELACIONADAS – REVISÃO
(Animal welfare: concept and related issues – Review)
BROOM, D.M.; MOLENTO, C.F.M. 

Download

Comportamento Animal - Uma Introdução à ecologia animal - Kleber Del Claro 
Um livro que pretende ajudar jovens pesquisadores a entenderem melhor o processo científico, em especial aquele relacionado ao
comportamento animal. 

Download

* Entrevista com Dra. Sandra Augusta Pinto – Profª FACIS e Médica Veterinária
http://br.youtube.com/
1- A Doença como Caminho - Thorwald Dethlefsen e Rúdiger Dahlke 
2-
Cães são fruto da educação dos donos - Rafael Leal, 6° semestre - Matutino
http://www13.unopar.br/
3- VI Congresso Medicina Veterinária da AEICBAS: Sensibilizar para as doenças comportamentais 
http://www.veterinaria-actual.pt/
4- Comunicação entre espécies - Dra. Sheila Waligora - médica veterinária - USP/1984 (Vida íntima - O chamado das árvores por Adsaran)
http://comunicacaoentreespecies.wordpress.com/
5- Duas Mãos - Quatro Patas 
http://www.duasmaosquatropatas.com.br
6- Denise de Mello Bobány - Clínica para pequenos animais / Cuidados em pequenos animais
  http://www.portalveterinaria.com.br/
7- Dr. Mauro Lantzman - Médico Veterinário - Homeopata e Etólogo - São Paulo - SP
http://www.saudeanimal.com.br/
8- Dra. Maria Leonora Veras de Mello - Médica Veterinária - Clínica Geral e Homeopatia - Problemas em Fisiologia da Reprodução e Endocrinologia- Colpocitologia - CRMV-RJ/2165: PROPEDÊUTICA, ANAMNESE , REPERTORIZAÇÃO E TRATAMENTO EM HOMEOPATIA VETERINÁRIA PARA OS ANIMAIS DE COMPANHIA
http://www.homeopatiaonline.com/
9- Dr Elias Carlos Zoby - Homeopata Veterinário - R. Natal, 308. Farol. Maceió - AL - presidente da Associação Medica Veterinária Homeopática do Brasil (AMVHB - 2005)
http://www.geocities.com/clinicazoby/corticoi.html
** FACIS -IBEHE 
 http://www.facis.edu.br **

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