COmpreendendo as terapias complementares 


"É preciso estudar para saber,
saber para compreender, 
compreender para julgar".
Helena Blavatsky

Esta página não contém som. 
Aqui vamos compreender o valor que o silêncio representa, em determinadas circunstâncias...Conforme a leitura você entenderá.

A próxima coletânea de artigos será direcionada ao estudo das terapias complementares junto à medicina veterinária, porém agora, sob uma forma mais minuciosa...

Na verdade, embora o enfoque, o ponto de partida deste livro seja a reflexão e concomitante busca de respostas sobre as mais diversas inquietações entre as relações profissional X paciente, este livro abre a oportunidade ao auto conhecimento profundo para todos os leitores, independente da profissão.

Nossa jornada literária iniciou-se, pouco a pouco, com a proposta de abrir nossos olhos para outras percepções tão científicas quanto. Assim percebemos que uma série de dogmas e paradigmas transmitidos em nossa cultura desde pequenos, nem sempre foram verdade, embora muitos de nós ainda prefiramos acreditar que sim.

Conhecemos um pouco da história da medicina, dos pensamentos, do quanto os filósofos e cientistas da época tinham uma mente aberta e livre de preconceitos, o como necessitaram ser audaciosos e persistentes diante de seus objetivos e posteriormente descobertas, e por último, começamos a entender o quanto a modernização do nosso universo nos distanciou desta integração corpo e alma que, aparentemente julgada como“nova”, foi premissa muito antiga na trajetória médica.

Vimos que na escola, as informações ainda não estabelecem uma correlação suficiente entre as disciplinas e também que o afeto, as emoções, são tão importantes não só para a recuperação nas doenças, como responsáveis pelo surgimento delas, fato inclusive para se refletir até que ponto experiências em laboratório, onde os "sujeitos de pesquisa" estando sob stress e todas as emoções negativas envoltas, podem realmente proporcionar um resultado confiável aos pesquisadores.

Ainda sobre o afeto, compreendemos como nossas primeiras experiências de vida em família são responsáveis pela formação de nossa personalidade, caráter, pelas nossas atitudes frente ao universo, dentro da sociedade, e fechando o círculo, responsáveis por estimular-nos ou não, a dar continuidade no aprimoramento da ciência e no direcionamento de nosso bem estar como integrantes do meio ambiente em que vivemos.

Caminhando para os recentes artigos, vimos também questões importantes referentes a novas tecnologias quanto à conduta e ética em experimentação animal, até que ponto estes procedimentos afetam ou beneficiam o rendimento dos estudantes diante do sofrimento animal em conjunto a tantas pesquisas que demonstram graves repercussões quanto ao seu uso, e por fim,como são recebidas as intenções de adotá-las nas universidades, bem como em escusá-las legalmente.

E como vem sendo recebidas estas novas informações?

Este trecho de filme abaixo, como ilustração, demonstra que embora a modernidade nos conduza a outras formas mais flexíveis de pensamento, ainda nos comportamos como nos séculos atrás frente a novas descobertas.

Observe se você já não esteve dos dois lados da situação e reflita:


Neste filme, Sigmund Freud inicia o discurso de sua descoberta sobre neuroses e discorre a formação de nossa personalidade com base nas relações afeto. 

Fazendo um pequeno parêntesis, embora seu discurso para alguns pareça algo "fantasioso" , é desta maneira que simbolicamente quando pequenos vamos formando nossas vias de afeto, demonstrações e recepções afetivas. Se somos acariciados, acarinhados desde pequenos, vamos tomar este modelo materno para procurar quando adultos, parceiros carinhosos. Da mesma maneira,  um bebê menos atendido quanto a carinhos, não saberá lidar com estes gestos quando adulto. Idem à questão do amamentar, estimulando o gosto/prazer pela zona bucal x o beijar, gostar de beijar, quando adultos. Este resumido modelo também se aplica à atenção e carinho que damos ao nosso trabalho, aos seres os quais nos relacionamos ao longo da vida, se quando pequenos fomos estimulados ou não.

Dentre as atribuições de Freud, como neurologista, estava o estudo da anatomia e da histologia do cérebro humano. Durante os estudos, identificou várias semelhanças entre a estrutura cerebral humana e a de répteis, o que o remeteu ao então recente estudo (na época) de Charles Darwin sobre a evolução das espécies e à discussão da "superioridade" dos seres humanos sobre outras espécies.

No esforço de compreender melhor seus pacientes, Freud iniciou um difícil processo de auto-análise para o qual não possuía nenhum caminho traçado e nenhum predecessor.

Foi responsável pela identificação das neuroses, segundo a existência de conflitos entre instinto inaceitável para o indivíduo e a resistência deste ao instinto, ao qual uma vez repudiado e reprimido no inconsciente, a pessoa procuraria substituí-lo por outros métodos de compensação, que causariam os distúrbios mentais ou físicos. Foi o primeiro a desenvolver uma exposição sistemática do inconsciente, que marcou o início da psicanálise, termo este por ele usado pela primeira vez em 1896.

A forma a qual foi recebido seu discurso, e que nos dias de hoje ainda embasa várias correntes, inclusive na descoberta das emoções como responsáveis pelas interferências no físico e suas conseqüências, causou grande polêmica e foi marginalizada pela classe médica na época...

Voltando para a sensação que nos provoca, Sigmund Freud utilizou as reações negativas de desprezo às suas idéias para motivá-lo a comprovar suas novas teorias. 
Muitos o fazem da mesma forma, utilizando o desprezo, o desdém, como estímulo desafiador. 

Lembro-me de que, em 1986, vendo este filme na Globo, na época o "corujão", fiquei  entusiasmadíssima com suas descobertas e conteúdo, fato que, o término do filme culminou e definiu minha escolha como profissão em 1988, quando ingressei em Psicologia aos 17 anos.

Porém, na maioria das vezes, este menosprezo frente a tudo que é novo, conduz ao desestímulo, à conformidade e à aceitação.

Assim ainda caminham, mais no Brasil do que no Exterior, as interpretações e pré julgamentos quanto às terapias complementares.

Qualificando ciência como esoterismo, misticismo, e outras variantes, as terapias complementares, mesmo embasadas e comprovadas cientificamente, e até aceitas pela OMS, ainda caminham a passos lentos, muitas vezes até judiciais, como no caso da história da trajetória da acupuntura até os dias de hoje, para conseguir um espaço à verdade que traz.

Outra questão importante...Você já se deteve que a maioria dos vídeos deste e-book, assim como os grandes cientistas que conseguiram buscar e comprovar a importância destas questões já estão idosos ou já partiram?

Hoje em dia, a mídia, a política, os responsáveis pela formação e direcionamento de nossa sociedade, de nossas escolhas e de nossos pensamentos, transmitem muito mais informações cibernéticas e tecnológicas. Caminhando como em que duas linhas paralelas, ainda não é totalmente possível aliar o avanço científico tecnologicamente humano de uma forma integrada. Dois avanços caminham num paralelo: a questão do corpo e das emoções, movendo-nos cada vez mais ao egoísmo, do que o inverso.

Isso não é novidade pra você com certeza. 

Os bons programas que incentivam a pesquisa e o questionamento, assim como as atitudes solidárias, geralmente estão dispostos numa TV a cabo, e que por consequência não estão abertos a toda a população, ou se dispõem em horários os quais ou são muito cedo ou muito tarde...Não dá ibope.

Dois casos bem recentes, relacionados ao tema do livro, bem como ao comportamento dos expectadores diante do que Freud propunha, foram o pedido de liminar do CRMV-SP contra a lei 12.916 do dep. Feliciano Filho e a substituição do programa da Luiza Mel, o Late Show.

No caso da liminar, ao invés de contribuir para o sucesso do que a lei envolve, o CRMV SP resolveu impedir seu vigor pela liminar, em outras palavras, se comportando como os expectadores do trecho do filme. 

No caso do programa Late Show, a Rede TV, desprezando o que o programa continha em potencial, ao invés de investir e melhor explorar, preferiu optar por algo mais rentável(“Bola na rede”), já que muitos preferem assistir a um jogo do que ler ou conhecer mais de seu ambiente, estendendo a visão do que possa contribuir em prol. Sem contar que sua veiculação valorizava não só o trabalho de muitos veterinários que por intermédio de sua profissão, contribuíam para a melhoria das zoonoses, conscientizando quanto aos valores que damos a tudo o que é vida,  bem como apresentava inúmeros desafios para a profissão, diante do como se encontravam os animais quanto à sua saúde e físico, frente aos maus tratos que provinham.

E estes são muitos de nós!

Espalhados na mídia, nas escolas, na política, nas universidades, entre os professores, entre os próprios alunos, em todos os lugares, este pensamento, estas atitudes desrespeitosas e ignorantes, já que a falta de conhecimento gera o medo de perder o controle diante do que ainda é desconhecido, continuam a desestimular e desencorajar muitos estudantes na busca de novas técnicas dentro de sua profissão, que envolvam principalmente  a compreensão da holisticidade que todo ser vivo se constitui.


“Considere uma árvore....

Posso apreendê-la como uma imagem. Coluna rígida sob o impacto da luz, ou o verdor resplandecente repleto de suavidade pelo azul prateado que lhe serve de fundo.

Posso senti-la como movimento: filamento fluente de vasos unidos a um núcleo palpitante, sucção de raízes, respiração das folhas, permuta incessante de terra e ar, e mesmo o próprio desenvolvimento obscuro.

Eu posso classificá-la numa espécie e observá-la como exemplar de um tipo de estrutura e de vida.

Eu posso dominar tão radicalmente sua presença e sua forma que não reconheço mais nela senão a expressão de uma lei – de leis segundo as quais um contínuo conflito de forças é sempre solucionado ou de leis que regem a composição e a decomposição das substâncias.

Eu posso volatilizá-la e eternizá-la, tornando-a um número, uma mera relação numérica.

A árvore permanece, em todas estas perspectivas, o meu objeto tem seu espaço e seu tempo, mantém sua natureza e sua composição.

Entretanto, pode acontecer que simultaneamente, por vontade própria e por uma graça, ao observar a árvore, eu seja levado a entrar em relação com ela; ela já não é mais um Isso. A força de sua exclusividade apoderou-se de mim.

Não devo renunciar a nenhum dos modos de minha consideração. De nada devo abstrair-me para vê-la, não há nenhum conhecimento do qual devo me esquecer. Ao contrário, imagem e movimento, espécie e exemplar, lei e número estão indissoluvelmente unidos nessa relação.

Tudo o que pertence à árvore, sua forma, seu mecanismo, sua cor e suas substâncias químicas, sua “conversação” com os elementos do mundo e com as estrelas, tudo está incluído numa totalidade.

A árvore não é uma impressão, um jogo de minha representação ou um valor emotivo. Ela se apresenta “em pessoa” diante de mim e tem algo a ver comigo e, eu, se bem que de modo diferente, tenho algo a ver com ela.

Que ninguém tente debilitar o sentido da relação: relação é reciprocidade.

Teria então a árvore uma consciência semelhante à nossa? 
Não posso experienciar isso. 

Mas quereis novamente decompor o indecomponível só porque a experiência parece ter sido bem sucedida convosco? 

Não é a alma da árvore ou sua dríade que se apresenta a mim, é ela mesma.” 
(BUBER, 1974, p.p.7-9)” 

Esta simbologia da árvore, serve para que reflitamos sobre como preferimos ver cada ser vivo e tudo o que envolve vida. Se como um todo, ou em partes preferenciais, descartando as demais. 

“As múltiplas possibilidades de se considerar uma árvore podem ser sentidas como uma metáfora para as múltiplas possibilidades de se apreender, de se considerar qualquer ‘objeto’ de estudo e até de se repensar a condição/relação objeto-sujeito da pesquisa.” (Maria Luiza Cardinale Baptista)

Em outras palavras, todas fazem parte de um mesmo ser. Todas compõe cada ser e cada ser compõe o que chamamos de universo.

Agora sim, penso que estamos prontos para ingressar no aprofundamento das terapias complementares...

 


 Referências:

* Maria Luiza Cardinale Baptista - EMOçãO E SUBJETIVIDADE NA PAIXão - PESQUISA EM COMUNICAçãO -  DESAFIOS E PERSPECTIVAS METODOLóGICAS http://www.uff.br
   

* BUBER, Martin.  - Eu e Tu -  2a edição rev. São Paulo, Moraes, 1974.

* Sigmund Freud - http://pt.wikipedia.orghttp://www.morasha.com.br   


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