Sob a Ponta do Iceberg
parte 2

 Artigo e Vídeo

Como inserida dentro do grupo de pessoas que ama os animais incondicionalmente, mas sem ainda me sentir preparada para enxergar esta realidade da experimentação animal ilustrada também nos vídeos, me eximi de ver muitos deles por um bom tempo...O senso comum também contribuiu... 

Muitos falavam tão mal da crueldade, no sentido da inconformidade com o que era divulgado, que sequer tinha coragem de assistí-los, tecendo altas fantasias e sensações que teria após, imaginando uma depressão, uma tristeza, uma vontade que querer modificar o mundo e me sentir incapaz...

Até que, com o intuito deste e-book, necessitei vê-lo e, com base nos comentários, assim pensei em editá-lo, para mostrar esta realidade com mais sutileza, sem tirar o conteúdo informativo, mas no intuito de poder mostrá-lo a tantas outras iguais a mim, que ainda resistiam, salientando o lado do pioneirismo de algumas universidades para que assim fosse visto e adotado por tantos ...

Assisti então. Do começo ao fim.

Durante a edição, nas primeiras cenas, imaginei o quão piores outras poderiam aparecer...

Apesar dos dizeres de alguns estudantes, alguns  denotando nada de consciência sobre a vida,outros demonstrando-se subordinados e acuados à mercê total dos professores, desestimulados para com o senso crítico, muitos simplesmente acreditando piamente no argumento transmitido, o conteúdo é recheado de exemplos de trabalhos práticos belíssimos. 

Ao final, verifica-se por exemplo, o excelente trabalho que a USP vem fazendo nesta área, não só poupando o sofrimento animal, como também se adequando às novas tecnologias, bem como interessada no rendimento saudável do estudante, futuro profissional.

Outra sensação também me ocorreu durante a edição, que me remeteu a procurar redigir o texto que antecede este artigo, falando sobre o afeto e sua importância desde o início de nossas vidas. (vide "O Retorno e o Reverso",pag.16 deste e-book)

Enquanto via o filme, ainda pensando em editá-lo, um misto de sentimentos começaram a vir à tona dentro de mim...

À princípio, senti vergonha pela coragem e comportamento indigno do ser humano, bem como compaixão, muita compaixão pelos animais à mercê dos humanos...

Depois de um tempo, vendo todos aqueles estudantes com alegações manipuladas, entrando no arquétipo da situação, já não sentia mais nada... 

Vou fazer um parênteses e explicar rapidamente o processo neurológico:

*Nosso cérebro não vê a diferença do que vê no ambiente do que se lembra, pois ele acessa a mesma rede neuronal. Os neurônios possuem ramificações para se conectarem e formarem uma rede neuronal. Cada área está integrada a um pensamento ou memória e o cérebro constrói todos os conceitos através de memórias associativas*. Assim, desde nosso nascimento, *idéias, pensamentos, conceitos são construídos e interconectados nessa rede neuronal e todos tem uma possível relação.

O conceito do sentimento amor, por exemplo,está guardado nesta vasta rede neuronal, mas construímos o conceito de amor a partir de muitas idéias diferentes. Algumas pessoas, por exemplo, tem o amor ligado ao desapontamento, então quando experimentam o amor,experimentam a memória da dor, mágoa, raiva, ira...e esta memória pode estar ligada a uma pessoa específica, "modelo" que remete a esta conexão do amor.*Assim sendo, depende de como foi estabelecida esta interconexão neuronal de acordo com as experiências relacionadas ao amor, compaixão, moral, se desencadearão comportamentos ou bloqueios em todas relações que o envolvam, não somente na questão de uma ou outra prática.

E de acordo com a base do aprendizado do amor e suas conexões neuronais "modelo", o estudante irá desencadear uma reação durante a aula de experimentação animal que após repetidas vezes esta mesma vivência, o norteará como modelo/base aprendida, seja dentro ou posteriormente fora, na prática. A visão que ele conceberá, aprenderá, conectará neurologicamente, irá embasar tudo o que envolva esta atuação. Ou seja, se o aluno desenvolver a visão mecanista de bloqueio, frieza, transgressão da moral, na prática, esta postura/abordagem para com seus clientes será a mesma.

*Criamos modelos de como enxergamos o mundo exterior.Quanto mais informações temos, mais refinamos este modelo. Qualquer informação que obtemos é sempre colorida pelas experiências que tivemos e por uma resposta emocional acerca do que estamos absorvendo.

Continuando na questão da aula, *fisiologicamente as células nervosas que se ativam juntas ficam conectadas. Se você praticar algo sempre, estas células terão um relacionamento longo...Se você ficar com raiva, frustrado ou contrariado diariamente, está reconectando e reintegrando esta rede neuronal diariamente e por consequencia esta rede neuronal terá um relacionamento duradouro com todas outras células nervosas*. Ou seja, aulas repetitivas que causem sentimentos ruins, após um tempo, este sentimento irá permear toda relação das outras células e assim, embasar, definir o caráter de seus relacionamentos interpessoais.

*Sabemos também que as células nervosas que não se ativam juntas, não se conectam mais. Elas perdem o relacionamento duradouro, pois sempre que interrompemos um processo de pensamento que produz uma resposta química no corpo, as células nervosas que estavam ligadas começam a quebrar o seu relacionamento*.Então, se os sentimentos bons e íntegros de afetividade, sensibilidade, amor, forem frequentemente bloqueados como defesa, frente à necessidade do comparecimento às aulas, conforme a explicação neurológica acima, após um tempo sendo cortadas estas interconexões neuronais, eles passam a não mais fazerem conexões e  portanto modificam nossa postura diante de todas as relações que envolvam. 

O mais curioso e irônico de todo este processo é o de que, estas relações neuronais são compatíveis com todos os seres, mas talvez em nenhum momento estes estudantes puderam considerar com base no modelo neuronal aprendido pelos animais, o projetar em si mesmos este processo,  e identificar cientificamente as consequências do que esta experiência em aula possa vir a causar neles próprios após repetidas vezes...

“Não existe nenhuma diferença fundamental entre os humanos e os mamíferos superiores nas suas capacidades mentais”
Charles Darwin

Finalizando, após esta explanação e agora continuando e voltando à minha experiência de edição do vídeo, conforme as cenas se passavam, e de acordo com a gravidade delas, minhas emoções tornavam-se cada vez mais bloqueadas como defesa inerente da psiquê, e eu começava cada vez mais a fazer parte desta individualidade grupal, projetando-me como estudante, em o como ele sentia tudo isso. 

O resultado enganoso é que fui me sentindo forte, vendo que cada animal era somente mais um, e aquela sensação de indiferença foi fazendo vez. 

Eu já estava me sentindo acima das emoções, e como sabemos que emoções sempre são nosso ponto fraco, este bloqueio-anteparo foi me proporcionando "aparentemente" a  sensação de superioridade à elas. Qualquer coisa(emoção) já não mais me abalava....

Claro, como psicóloga, me projetei optativamente à este arquétipo à fundo para compreendê-lo. 

Como os sentimentos, a compaixão pela vida, a sensibilidade, fazem parte de mim, são mais fortes e embasados  neurológicamente explicados pelo processo acima, após o término do documentário, voltei ao meu estado individual/essência de ser, e tudo continuou como era antes, agora com mais força para propagar alternativas contra esta ignorância ou interesseira ignorância...

Peguei então toda esta vivência arquetípica  somada ao embasamento neurológico, para transformar em artigo e assim entender o como esta prática (quase) diária entre os estudantes tende a deixá-los dessensibilizados, principalmente aqueles que não tiverem uma base para o resgate da raiz emocional "modelo" neurológicamente fortalecida e reforçada desde a infância.(vide artigo anterior neste e-book sobre a importância do afeto nas relações e formação de personalidade)

E é isso que acontece com a grande maioria.

De acordo como vimos anteriormente, já que a grande parte da juventude vem perdendo as bases afetivas enriquecidas, esta maioria dos estudantes, além de perderem a sensibilidade e o respeito pela vida, supostamente justificado pelo "bem estar e conhecimento dos futuros pacientes" através dos professores, eles vão se sentindo enganosamente fortes com esta vivência, se sentindo dotados de heroísmo (principalmente a porção masculina), afinal, é necessário muita coragem, e precisa-se ter muita para tal, inclusive passar por cima dos valores éticos que aprendemos....

No meu caso, como tenho os valores enraizados, minha consciência continuou a me guiar pelo lado certo e redigi o artigo, trasformei o que vi em mais impulso para uma mudança. Com ele, acrescentei muito mais intensidade em meu objetivo de ser mais uma pessoa a propagar todos estes fatos. 

Para os já formados, que desconheciam estas alternativas, ou que ainda nem existiam, mas que constituiam dentro de si a porção afetiva e sensível desenvolvida, estes, após o término do curso, com certeza buscaram formas positivas de canalizar, refazer esta vivência,resgatar estas conexões afetivas "modelo" que foram parcialmente lesadas durante o período das aulas de experimentação. Mas e quem não recebeu uma base emocional qualitativa desde a infância? 

Não haverá regresso da sensibilização à não ser que um trabalho de acompanhamento seja feito...

Este bloqueio/frieza, suposta e enganosa coragem mal trabalhados internamente, continuarão a fazer parte do indivíduo estudante e serão canalizados como novos modelos para todas as suas relações.

Contudo, este filme vale a pena ser visto. 

As cenas horríveis para elucidar o que é dito ficam mais a encargo de nossa imaginação, na verdade, e não são totalmente mostradas (isso não quer dizer que não existam no dia a dia). Somente quem tem a sensibilidade de perceber  e se identificar com o que está por trás do olhar de cada ser apresentado e tiver aprendido a importância de se colocar no lugar do seu próximo, seja de que espécie for, já que sentimentos de dor, alegria, tristeza, dentre outros são inerentes a todo ser vivo, é que perceberão com muito mais emoção o conteúdo. 

De qualquer forma, o contexto geral é permeado de mensagens estimulantes a novas condutas, mostrando como existem pessoas do bem fazendo sua parte para modificar esta realidade e esta é a parte mais importante do vídeo: O incentivo a uma nova verdade de forma que cada espectador, após assistir ao vídeo, sinta-se motivado e assegurado a defender a ética e moral dentro das universidades.

Portanto, ao assistir este vídeo abaixo, não enxerguemos pelo lado vergonhoso do ser humano, embora cause esta sensação, e sim tomemos estes exemplos citados no vídeo, esta realidade, juntamente com as opções coerentemente oferecidas, para sermos, cada um de nós, mais um a enfatizar e fazer valer em mais universidades esta mudança benéfica que já está acontecendo!

Enfim, todo este background sobre o vídeo eu achei pertinente discorrer para que assim, mais pessoas não só possam como desejem vê-lo, divulgá-lo, para que se fortaleça esta nova consciência sobre a vida.

Pra finalizar, *achamos que o mundo existe independente de nossa experiência e que nossa mudança "isolada" não a afeta. Porém temos um papel dentro da nossa realidade, embora muitas vezes possamos pensar o contrário, considerando tolice...

No verão de 1993, Washington recebeu um grande experimento.4.000 voluntários, vieram de 100 países para uma meditação coletiva durante longos períodos do dia, experimento que, segundo o FBI, proporcionaria a queda de 25% dos crimes violentos. O chefe da polícia, foi à tv dizer que o crime dó diminuiria se nevasse no verão.
No final, a mesma polícia se tornou colaboradora e autora deste estudo pois o resultado foi realmente a queda em 25% da criminalidade em Washington.

As pessoas estão afetando a realidade que vemos. 
Cada um de nós a afeta. *

Mudando alguns paradigmas, aceitando nossa realidade e os avanços positivos que trazem a todos os seres, seremos melhores em todos os aspectos, seja profissional, pessoal, social, espiritual, em todas as relações onde houver Vida.

Abaixo o material de apoio para conhecer como a tecnologia já está presente com inúmeras alternativas para esta questão da experimentação animal e na sequência o vídeo.

Material de Apoio:

Modelo de Carta para Objeção de Consciência

**Está em fase de execução o Sistema Nacional de Empréstimo de Alternativas da InternicheBrasil. 

O Sistema nacional segue o padrão do sistema internacional da InterNICHE, e já está disponibilizando  uma coleção de CD-ROMs, vídeos, modelos e manequins. 

Professores e estudantes de qualquer parte do mundo podem adquirir estes ítens do sistema de empréstimo para ter a oportunidade de familiarizar com alguns dos melhores produtos disponíveis.  Saiba Mais...

Referências:

* Filme Documentário: What the bleep do we know?
Disponível na página a seguir.

Agradecimentos imensuráveis:
à Nina Rosa Jacob, ativista e presidente do Instituto Nina Rosa, e toda equipe do vídeo, por desenvolver este belíssimo trabalho de esclarecimento!
Instituto Nina Rosa

Observações para assistir ao vídeo:

1-Dê um "stop" no player  acima, clicando aqui para subir ao topo da página onde ele se encontra.

2- Para voltar até aqui novamente, clique em Vídeo (no topo da página).

Vídeo: "Não Matarás" 
Fonte: http://www.interativismo.org

 

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