
Sob a Ponta do Iceberg
"Cada grande movimento deve experimentar três estágios:
Ridículo, Discussão, Adoção"
John Stuart Mill
Este próximo artigo trata de uma questão muito peculiar, não só dentro da área da Medicina Veterinária, bem como as áreas de Biologia, Medicina Humana, Psicologia, Nutrição, Odontologia, Farmacologia e outros, que abrange indiretamente muitos outros aspectos: a Experimentação Animal.
É o ponto crucial que move ou impele novos estudantes a
ingressarem nesta formação profissional.
Para aqueles que estão cursando Medicina Veterinária e para os que pretendem
cursar, este artigo vem esclarecer mitos e paradigmas sobre esta prática, de
forma a motivar tanto cientificamente a melhor postura ética, quanto
assegurar moralmente seus direitos.
Antes de mais nada, clique a abaixo para ver alguns resultados obtidos
aparentemente em benefício humano, mas que por sua vez causaram dissabores
graves:
**Durante todas as épocas,
todas as gerações tiveram suas próprias suposições.
Primeiro se achava que o mundo era plano, depois, confirmou-se redondo, e
assim por diante...**
Assim sendo, existem centenas de suposições que acreditamos serem
verdadeiras, e que nos são passadas pelos diversos tipos de mídia, dentro
das escolas e universidades, as quais acreditamos por nos parecer mais
conveniente e concreto, mas que podem não ser verdadeiras ou as melhores. E
ainda considerando a política social à parte, supondo o melhor
interesse na propagação destes paradigmas, isto acontece porque estamos
presos a certos preceitos, sem saber disso a maioria do tempo.
**O
materialismo moderno, tira das pessoas a necessidade de se sentirem responsáveis
por mudar a realidade, seja ela de que âmbito for o interesse, e o que nos
difere dos outros seres é a consciência que nos dá a possibilidade de
escolha e responsabilidade pelas nossas atitudes. **
*No
tocante ao tema disposto, a ciência esteve por muito tempo sob a influência filosófica de René
Descartes, que afirmava que animais não tinham alma e, portanto, eram
incapazes de sentir dor.
Durante muitos anos, experiências cruéis foram realizadas com animais de diversas espécies. Felizmente, a própria pesquisa científica mostrou tratar-se de um conceito errôneo.
Resumidamente, na Europa, a partir do século 19, começaram a surgir movimentos anti-vivisseccionistas. Os ativistas apresentavam elevado grau de sentimentalismo e pouco ou nenhum conhecimento científico, causando atrito com os pesquisadores da época, que dependiam desses animais para prosseguirem seus trabalhos.
Porém, atualmente, com a busca embasada no conhecimento científico somados à base dos resultados previstos, estes movimentos começaram a se transformar como melhor modelo, sendo adotados como tendência mundial entre as escolas médicas: o abandono do uso de animais vivos em aulas práticas.
Em alguns países, como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Itália, a maioria das universidades já aboliu seu uso. Em termos de ensino, os animais já podem ser substituídos, praticamente sem causar prejuízo ao aprendizado.
Os métodos alternativos são procedimentos que podem reduzir ou substituir o uso de animais vivos e refinar a metodologia de forma a diminuir a dor ou sofrimento deles. Algumas pessoas combatem o uso de alternativas no ensino, afirmando que tais técnicas não reproduzem inteiramente os aspectos e condições encontrados na utilização de um animal vivo, já que não mostram a dinâmica da interação entre os sistemas. Contudo, o aprendizado nestes modelos fornece uma boa visão dos procedimentos, possibilitando maior segurança quando diante da situação real, principalmente em relação às cirurgias, pois o aluno pode treinar um número maior de vezes.
Apesar de todas essas opções disponíveis, a redução do
número de animais no ensino ainda é lenta, provavelmente por falta de
conhecimento dos docentes em relação às técnicas alternativas, bem como
oportunidade para testá-las.
Isso reflete de maneira direta a receptividade do aluno, já que o professor
é o principal transmissor de valores na educação.
Existem várias alternativas para o ensino no treinamento de cirurgias, suturas, testes de drogas farmacológicas e experimentos de fisiologia, entre outros. Segundo Smith e colaboradores, em relação aos modelos computadorizados, há três categorias principais: os softwares puros, representados por programas com combinações de texto, gráficos, som, fotos ou animação; as ferramentas didáticas integradas, cujos programas são combinados a sistemas audiovisuais; ou, ainda, a realidade virtual, onde os procedimentos são vistos em terceira dimensão, por meio do uso de óculos especiais, podendo estar ligados ou não a equipamentos que reflitam sensibilidade.
A substituição de animais em nosso país, além de ética, também é questão legal.
A lei federal 9.605/988 prevê penalidades (três meses a um ano de prisão, além de multa) para o uso de animais em experimentos que envolvam dor, sempre que houver métodos alternativos. (para mais aprofundamento,vide complementos na parte final da página e/ou "Legislação & afins no índice deste e-book)
Além disso, a objeção de consciência, assegurada pela Constituição, pode ser utilizada para garantir os direitos individuais dos alunos que se negam a assistir ou participar de aulas que utilizam animais.
A Human Society of the United States (HSUS) revisou a literatura científica referente a este assunto e encontrou 15 trabalhos em que alunos presentes em aulas com métodos alternativos apresentaram melhor desempenho do que aqueles com métodos tradicionais, 18 trabalhos que demonstraram equivalência nos dois métodos de ensino e dois que afirmavam superioridade dos métodos convencionais em comparação aos alternativos.
O melhor desempenho dos métodos alternativos em alguns trabalhos deve-se a vários fatores, como, por exemplo, a possibilidade de repetição dos mesmos e economia de tempo, já que não necessitam da preparação dos experimentos animais. Em outros casos, como técnicas cirúrgicas, encontra-se uma discrepância entre materiais humanos e animais, além da possibilidade de uma dessensibilização dos estudantes, por se contrariar o princípio médico de salvar vidas.
Diante das evidências de que a substituição de animais em aulas é possível, ou melhor, necessária, seguindo uma tendência mundial de proteção aos animais, o que se reflete no desenvolvimento de várias alternativas à vivissecção, este trabalho compara dois grupos distintos de alunos em aula prática, com e sem animais, verificando o grau de aprendizagem e sentimentos dos alunos na presença deles. *
Neste trabalho complexo utilizado como embasamento para este artigo, publicado pela *Revista Brasileira de Educação Médica, em 2006, comparou-se o grau de aprendizagem entre duas turmas do curso de Medicina submetidas a aulas distintas, com e sem o uso de animais. Foram verificados, também, os sentimentos despertados pela presença destes animais. Ao final, foi entregue um questionário para avaliar as técnicas de aprendizagem, bem como os sentimentos vivenciados pela presença dos animais. Verificou-se que o conhecimento pode ser obtido por meio de outras fontes, respeitando a vida animal e induzindo valores éticos aos alunos.
Como conclusão, houve um desempenho semelhante entre as duas turmas em relação à aprendizagem, demonstrando que a substituição de animais em aulas é possível, mantendo-se a mesma qualidade de ensino.*
Este é um dos trabalhos que navegam com livre acesso pela internet, à quem se destinar procura-los.
Infelizmente, se continuarmos com uma mentalidade desatualizada e vinculada a paradigmas antigos, não poderemos prever se seremos bons ou maus profissionais, afinal, além do aspecto ético e sensível da questão, aceitar esta mudança de paradigma implica em abrir possibilidades sobre tantos outros aspectos de nossa vida os quais achamos mais conveniente escondê-los como um grande e coberto iceberg, não só inclusive na questão tecnológica, quanto em todas as que esta mudança envolveria quanto ao sucesso profissional e suas relações.
***De acordo com o resumo de trabalho apresentado em Simpósio realizado em Genebra pela Liga Internacional de Médicos pela Abolição das Experiências em Animais, por Bernhard Rambeck, grande parte de nossa sociedade acredita na necessidade incondicional das experiências em animais. Essa crença baseia-se em mitos, não em fatos e esses mitos precisam ser divulgados para evitar a implosão de um sistema pseudo-científico.
Sem esses mitos, seria evidente que as experiências em
animais não ajudam a humanidade, mas causam prejuízos imensos ao animal e ao
homem.
Em nosso próprio interesse precisamos analisar os mitos em que se baseia o
sistema de pesquisas com animais, pois não se trata apenas de aceitar um mal
necessário. O sistema de experiências em animais pertence --- assim como a
tecnologia genética ou o uso da energia atômica --- a um sistema de
pesquisas e exploração que despreza a vida.
Com ele cavamos uma sepultura para a ecosfera e para nós mesmos. A morte das
florestas, o buraco de ozônio, o efeito estufa, as alterações climáticas,
os mares contaminados, a matança de focas, AIDS - tudo isso são sinais visíveis,
mas afastamos o conhecimento das causas e somos incapazes de agir. Para
sobreviver precisamos compreender como tudo está interligado e perceber que a
utilização de milhões de animais sensíveis como objeto de exames e
instrumentos descartáveis de medição nunca conduzirão à nossa cura, mas
apenas à nossa autodestruição crescente.
Vamos examinar a rede de mitos que cerca as experiências em animais.
1º Mito – O conhecimento médico está baseado em experiências com
animais.
Sempre nos fazem crer que a verdadeira arte médica só começou há cerca de
100 anos, com a quimioterapia. Isso é falso: em todas as épocas houve médicos
excelentes que realmente conseguiam ajudar; em todas as épocas houve
academias famosas realmente ensinando a arte da cura.
As bases do conhecimento médico clássico não eram
pesquisas em animais, embora estas já existissem, em pequenas proporções, há
milênios. Essencial era a observação de homens e animais doentes e sadios.
Também a maior parte do nosso conhecimento médico moderno não se baseia em
experiências com animais ou, então, foi apenas confirmado posteriormente por
essas experiências.
Muitas substâncias eficazes à base vegetal e também medicamentos como o ácido
acetilsalisílico (contra febre) ou fenobarbital (para epilepsia) foram
descobertos sem experiências em animais.
A maioria das técnicas cirúrgicas habituais não foram desenvolvidas em
animais.
2º Mito: Foram as experiências em animais que possibilitaram o combate às
doenças e, desta forma, permitiram aumentar a vida média.
Esse mito padrão daqueles que apóiam as experiências com animais é falso!
O aumento da expectativa de vida deve-se, principalmente, ao declínio das
doenças infecciosas e à conseqüente diminuição da mortalidade infantil.
As causas desse declínio foram melhores condições de saneamento, uma tomada
de consciência em questões de higiene e uma melhor alimentação - não foi
a introdução constante de novos medicamentos e vacinas. Da mesma maneira, os
elevados coeficientes de mortalidade infantil no Terceiro Mundo podem ser
atribuídos a problemas sociais, à pobreza, à desnutrição, etc... - não
à falta de medicamentos ou vacinas.
3º Mito: A pesquisa médica só é possível com experiências em animais.
Há algumas décadas, o conceito de métodos alternativos não existia. Ainda
recentemente nos explicavam que o teste DL-50% (para determinar a dose letal)
e outras atrocidades eram indispensáveis. Os cientistas declaravam unânimes
que só o animal ileso poderia demonstrar o efeito dos medicamentos.
Atualmente as declarações são mais cuidadosas. A indústria está
explicando, constantemente, quantos animais já substituíram, quanto já
diminuiu o consumo de animais e como é perfeitamente possível renunciar ao
DL-50%. Em muitas áreas estão utilizando métodos alternativos, processos
in-vitro com culturas celulares, microrganismo, etc, cujos resultados superam
de longe as provas fornecidas pelas experiências em animais.
Esse desenvolvimento mostra como - através da pressão da opinião pública -
é possível conseguir que não se façam experiências com animais.
Percebemos também, que muito daquilo que era considerado parte incontestável
da medicina moderna, pode ser, tranqüilamente, substituído em poucos anos.
4º Mito: Experiências em animais são necessárias porque as doenças mais
importantes ainda não têm cura.
Apesar das excessivas experiências em animais, as doenças mais importantes não
foram modificadas, não se tornaram mais curáveis. Esse fato mostra
exatamente o pouco que as experiências em animais podem contribuir para a
erradicação das doenças humanas. A conseqüência lógica não pode ser a
ampliação da pesquisa em animais e sim, esforços redobrados visando o
controle, a profilaxia e a pesquisa das causas das doenças. Não há mais dúvidas
de que nós mesmos causamos a maioria das doenças, através de alimentação
errada, dependência de substâncias tóxicas, stress, etc.
Estudos amplos com vegetarianos comprovaram há tempo que uma alimentação
mais saudável reduz o risco de câncer, diminui a probabilidade de doenças
cardiovasculares e aumenta a expectativa de vida.
5º Mito: Experiências em animais são necessárias para afastar a ameaça de
novas doenças.
Uma típica nova doença ameaçadora é a AIDS.
A pesquisa da AIDS é um ótimo exemplo de pesquisa moderna que pode acumular
consideráveis conhecimentos em pouco tempo, e sem usar experiências em
animais.
Os progressos na pesquisa da AIDS não se baseiam em experiências em animais,
mas na epidemiologia, na observação clínica dos doentes e nos estudos
in-vitro com culturas celulares.
6º Mito: Os riscos de novos medicamentos e vacinas só podem ser determinados
por meio de experiências em animais.
Medicamentos importantes foram descobertos antes da era das experiências em
animais, que ainda hoje estão em uso.
Fica cada vez mais claro que a transferência de resultados toxicológicos do
animal para o homem não tem sentido.
Existem cada vez mais métodos expressivos que dispensam as experiências em
animais. Testes toxicológicos como o DL-50% ou o estudo de irritação dos
olhos do coelho (Teste Draize) são - também segundo diversos cientistas -
rituais de extrema crueldade que nada têm a ver com ciência.
Ainda mais difíceis de serem transferidos para o homem são os resultados de
pesquisas nas quais fazem penetrar em diversos animais, por ingestão ou injeção,
grande quantidade de substâncias experimentais durante um tempo prolongado. Não
convém esquecer que o risco final é sempre do homem; mas, na medida em que
experiências em animais aparentam segurança, o homem é levado ao uso
descuidado de novas substâncias. Isso aumenta o risco ainda mais.
7º Mito: Experiências em animais não prejudicam a humanidade.
Experiências em animais atribuem segurança aparente a medicamentos e a novas
substâncias, embora de forma alguma seja possível avaliar essa segurança.
A tragédia com a Taliodomida é conhecida.
Aproximadamente um terço de todos os doentes com problemas renais que fazem
diálise (ou esperam pela doação de um rim) destruíram sua função renal
tomando analgésicos considerados seguros após experiências em animais.
Todos os medicamentos retirados do mercado por exigência dos órgãos de saúde
foram testados em experiências com animais.
Um outro exemplo: o perigoso "buraco de ozônio" sobre a Antártida
é causado pelos CFC (clorofluorcarbonetos), que foram considerados seguros após
experiências químicas e, também, com animais.
A noção errônea de segurança levou à produção e à disseminação
desenfreada dessas substâncias, que agora ameaçam a biosfera do nosso
planeta.
Experiências em animais, na realidade, tornam as atuais doenças da civilização
ainda mais estáveis.
A esperança por um medicamento descoberto por meio das pesquisas com animais
destrói a motivação para tomar uma iniciativa própria e para mudar
significativamente o estilo de vida.
Enquanto nos agarramos à esperança de um novo remédio contra o câncer, as
doenças cardio-vasculares, etc, nós mesmos - e todo o sistema de saúde - não
estamos suficientemente motivados para abolir as causas dessas enfermidades,
ou seja o fumo, as bebidas alcoólicas, a alimentação errada, o stress, etc.
Experiências em animais destroem a consciência em relação
às espécies, à interdependência e aos ciclos na natureza.
Quem é capaz de julgar as conseqüências que os animais manipulados pela
biotecnologia trarão para a natureza ?
Quem é capaz de avaliar a conseqüência de uma fuga de ratos patenteados com
câncer, ratos com AIDS, etc?
Durante milhões de anos de evolução, a natureza deu prioridade à saúde e
à capacidade de adaptação dos animais.
Nós, homens, produzimos animais com doenças congênitas, aperfeiçoados para
fins científicos e comerciais.
Ao sistema de pesquisa científica baseado em experiências com animais cabe
grande parte da responsabilidade pela crise profunda em que se encontra, sob
todos os pontos de vista, a medicina moderna. A medicina atual é cara demais;
em muitas áreas é francamente perigosa e - para as doenças realmente
importantes da época - é ineficaz. Esses três aspectos estão intimamente
relacionados e têm como ponto de partida a visão do homem (uma espécie de
biomáquina) desenvolvida a partir de experiências em animais.
Um dos piores danos causados pelas experiências em animais consiste no
embrutecimento da cultura médica. Sem levar em conta que a experiência com o
homem, o princípio das experiências com animais está afastando a medicina
cada vez mais da arte de cura e empurrando-a para uma medicina que conserta e
coloca peças.
Não precisamos retratar as doenças como algo positivo, mas enquanto
encaramos a doença apenas como defeito a ser tecnicamente consertado,
perdemos a possibilidade de questionar o sofrimento humano.
Perdemos toda possibilidade de aceitar a doença como algo que tem um sentido,
algo pelo qual precisamos passar.
8º Mito: O animal não sofre durante a experiência.
O sofrimento do animal usado nos experimentos já começou bem antes da experiência,
quando é confinado, criado e transportado em condições totalmente estranhas
à espécie. Não existem experiências toxicológicas inofensivas para o
animal!
Gostaria de saber como experiências toxicológicas - durante as quais os
animais são envenenados de forma mais ou menos rápida - podem decorrer sem
tortura e dor.
Não existe experiência nas áreas de toxicologia, cirurgia, radioterapia,
etc, sem sofrimento terrível para o animal atingido!
Ainda hoje a experiência representa para o animal um sofrimento terrível,
que normalmente só termina com a morte.
9º Mito: Somente os especialistas sabem avaliar a necessidade, a validade e a
importância das experiências em animais.
O mito de que leigos, por falta de conhecimento especializado, não podem
opinar sobre experiências em animais proporcionou, durante dezenas de anos,
um campo livre para os vivisseccionistas.
Eles têm enorme interesse em trabalhar sem serem observados e incomodados por
um público crítico. As experiências em animais, assim como a criação de
animais confinados, ou a criação de animais para comércio de peles são
praticadas com um número infinito de torturas porque os políticos, os
legisladores, os teólogos, os filósofos e, principalmente, o homem comum não
têm noção do que acontece ou, então, têm uma idéia totalmente errada do
sofrimento e da miséria desses animais.
Nos últimos anos, porém, os muros do silêncio vêm sendo progressivamente
derrubados pela imprensa, pelo rádio e pela televisão. Além disso, os últimos
anos trouxeram mudanças importantes: os leigos são apoiados por
especialistas e por associações médicas e leigas, nacionais e
internacionais, que rejeitam as experiências em animais.
Deixar que os próprios pesquisadores julguem a necessidade e a importância
das experiências em animais é semelhante a um parecer sobre alimentação
vegetariana feito por uma associação de açougueiros ou a um relatório
sobre o significado da energia nuclear elaborado pelos fornecedores de usinas
nucleares. Não serão justamente aqueles que estão engajados no sistema de
experiências em animais que irão questionar a vivissecção!
De forma alguma é necessário ser um especialista para derrubar este nono
mito: apesar de milhões de animais torturados e mortos, a vivissecção não
conseguiu obter um resultado frente às epidemias do nosso tempo.
10º Mito: Não é possível abolir as experiências com
animais.
Esse mito, sempre apresentado pelos defensores da vivissecção, é um dos
pilares que sustentam o sistema das experiências em animais. A afirmação de
que as experiências em animais possam, quando muito ser reduzidas a um
"mínimo indispensável", mas jamais completamente abolidas, nos
paralisa. Leva a discussões intermináveis, despidas de sentido, sobre a
extensão e o tipo de experiências que podem ser substituídas ou
descartadas. Esse é um dos motivos pelos quais o movimento dos opositores está
tão dividido. Na questão da abolição das experiências, deveríamos
verificar como outros erros históricos foram vencidos.
Hoje está claro que a caça às bruxas, a exploração sem clemência dos
escravos, a separação desumana de raças constituem crimes que não podem
ser eliminados pela redução do número de vítimas, ou por etapas. Só podem
ser eliminados por mudanças fundamentais, associadas à uma tomada de consciência.
Assim, também a vivissecção precisa ser eliminada em sua totalidade, como
um caminho prejudicial inaceitável.
As chances de alcançarmos esse objetivo (a abolição das experiências em
animais) são hoje maiores do que nunca.
O movimento contra vivissecção é visto cada vez mais como parte do movimento ecológico, que se preocupa com os danos gigantescos que o homem comete em sua prepotência.
Adversários
das experiências em animais estão se aliando a grupos que enfrentam a
engenharia genética, criação de animais confinados, a criação de animais
para comerciar pele, a morte das florestas ou os perigos da energia nuclear.
Todos eles procuram impedir a exploração desenfreada da natureza e concebem
o nosso ecossistema como algo muito delicado, uma rede interligada de múltiplas
formas.
É muito importante que a motivação para combater as experiências em
animais se transforme cada vez mais. Enquanto, antigamente, o animal e o
horrendo tratamento estavam no centro da discussão, hoje aumenta a consciência
de que o próprio homem é o maior prejudicado com a exploração egoísta do
animal. O confinamento dos animais de corte significa, em primeiro lugar, uma
terrível tortura para eles, mas logo levou a um aumento considerável das
doenças provocadas pela alimentação. As possibilidades da engenharia genética
mostram, em primeiro lugar, um inacreditável sangue-frio em relação aos
animais manipulados, mas em seguida tornou-se uma ameaça complexa ao equilíbrio
ecológico e, através disso, à própria existência do homem.
Assim, hoje entendemos cada vez melhor que a experiência em animais, além de
representar um enorme sofrimento para a vítima, contribui - devido a todas as
conseqüências -para a autodestruição do homem.
Se o homem não consegue adquirir um novo nível de consciência da
interdependência e das interligações dentro da natureza para desistir
voluntariamente de surpresas desagradáveis como a vivissecção, a engenharia
genética, a energia atômica...a natureza vai se encarregar de eliminar o
homem definitiva e irreversivelmente junto com suas experiências em animais.
Ainda existe escolha. Ainda existe a possibilidade de pôr um fim à exploração
desenfreada do planeta com todos seus seres , de abolir a vivissecção em seu
próprio interesse.
Em sua conclusão, a experiência em animais não representa apenas um método
cruel, e por isso mesmo antiético, mas é também destituído de validade
científica. No interesse do homem e do animal, precisa ser abolida o mais rápido
possível e substituída por métodos racionais e humanos.***
Esta realidade já existe há tempos e inclusive encontramos vídeos sobre
alternativas na área da experimentação como o que indico na próxima página,
expondo o como os animais ainda são tratados dentro das universidades mesmo
assim, mostrando como é o padrão em outros países, bem como em algumas
universidades brasileiras que já adotam novos procedimentos para esta questão...
Abaixo, alguns materiais de apoio, inclusive o trabalho divulgado na Revista Brasileira de Educação Médica, em 2006,(veja que este assunto não é de hoje que se busca conscientização)para
leitura na íntegra, (ao qual utilizei alguns trechos para ilustração nesta
página) comparando dois grupos distintos de alunos em aula prática, com e sem animais, verificando o grau de aprendizagem e sentimentos dos alunos na presença deles, e concluindo que o conhecimento advindo da experimentação animal pode ser obtido por meio de outras fontes, respeitando a vida animal e induzindo valores éticos aos
alunos.
Referências artigos &
Material de Apoio:
para download dos artigos,
Clique com o lado direito do mouse e escolha salvar como"
*
Rev.
bras. educ. med. v.30 n.2 Rio de Janeiro maio/ago. 2006 – Animais em aulas práticas: podemos substituí-los com a mesma qualidade de ensino?
Download do artigo - Fonte:
http://www.scielo.br
"Experimentação Animal -
Pea"
Resumo feito por GABRIELA TOLEDO para PEA –
Projeto Esperança Animal
Download do artigo
"Experimentação Animal -
RAZÕES E EMOÇÕES PARA UMA ÉTICA"
Rita Leal Paixão
Download do artigo
"Experimentação animal: aspectos bioéticos e normativos"
Danielle Maria Machado R. Azevêdo
Download do artigo
"O USO DIDÁTICO DE ANIMAIS VIVOS E OS MÉTODOS ALTERNATIVOS EM MEDICINA VETERINÁRIA"
Giselly Castro
Moraes
Download do artigo
**
Filme Documentário: What the bleep do
we know?
Disponível neste e-book vide index.
Modelo de Carta de Objeção de Consciência
Considerações sobre Escusa de Consciência
pelo Promotor de Justiça: Laerte Fernando Levai
Considerações sobre Vivissecção e a Lei Brasileira
***Bernhard Rambeck é diretor do Departamento Bioquímico da Sociedade de pesquisa em Epilepsia, Bielefeld, Alemanha. Autor de inúmeros trabalhos científicos no campo da bioquímica e da farmacologia clínica. Em sua opinião, a maneira mecanicista de pensar das atuais biociências impede qualquer real desenvolvimento da Medicina e da Biologia. Desde 1985, Rambeck dedica-se sobretudo ao estudo das experiências em animais que estão prejudicando o homem e trazendo sofrimento infinito aos animais.
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