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Entrevista com Julia Fernandes

Dando continuidade à questão sobre o ensino dentro das Universidades de Medicina Veterinária,  onde tentei demonstrar no capítulo anterior, a necessidade da integração de disciplinas filosóficas/empíricas/emocionais, que poderiam melhor qualificar a forma de pensamento e atuação dos profissionais da área, fazendo minhas buscas pela internet, encontrei uma entrevista com uma estudante de veterinária que diz muito sobre este assunto.

Lendo suas respostas, comentando sobre as disciplinas e enfoques principais, testes em animais,  como é a visão da grande parte dos estudantes em relação ao objetivo profissional, pude constatar  felizmente que, apesar de não ser a maioria, como a estudante mesma diz, ainda existem pessoas que perseveram,diante da forma linear de pensamento mecanicista como consta o direcionamento da formação profissional, focando o objetivo do curso no real bem estar dos animais.

Por outro lado, no conteúdo desta, poderemos ter uma idéia do como são transmitidas e interligadas ou não as disciplinas e seus principais enfoques, que demonstram muito pouco ter relação com o estimular/desenvolver o aspecto emocional, o envolvimento profundo de tudo o que poderia sim ser acrescentado qualitativa e intrinsecamente na avaliação diagnóstica dos "pacientes", no desenvolver o feeling, aperfeiçoar a relação.

Infelizmente, podemos inferir, como na visão de Descartes, que as disciplinas, apesar da existência comprovada de  muitos outros conteúdos científicos a dispor em várias formas de acesso relativo à complementarização qualitativa deste ensino, ainda visam,  como num manual, explicar e instruir, como enfoque principal,  o que envolve as "peças de uma máquina" e  quais as formas de conserto, isoladas, sem nenhuma inter-relação com o meio e consideração com suas influências individuais.

Se a Homeopatia, por exemplo, dentre outras especialidades médicas reconhecidas e muito utilizadas, assegura a compreensão dos aspectos emocionais nos animais, por que não, desde já, utilizar-se dos princípios que envolvem, como referência, para complementar  a compreensão da existência destes aspectos dentro da formação acadêmica geral, estimulando o pensar não linear?

 Como já disse, por um lado é necessário o conhecimento técnico, mas sem nenhuma interligação com o emocional, esta atuação se torna simplesmente mecânica.

Torçamos para que continuem existindo pessoas interessadas em mudar este paradigma, como Julia e outros profissionais, embora minoria e que merecem todos os aplausos ( indico alguns no índice), que possam mudar esta relação e promoção do bem estar dos animais dignamente. 

Também espero, que através deste e-book, muitos outros estudantes possam, por intermédio destes conteúdos, avaliar todas estas questões importantes que envolvem a total compreensão deste bem estar, para futuramente conquistarem a excelência profissional.

Segue a entrevista cedida gentilmente por Marlon Vismari 
site: http://www.revisaovirtual.com

Julia Fernandes está no 4° ano de Medicina Veterinária na UFF - Universidade Federal Fluminense.

 Ela nos conta como é o curso, as dificuldades da graduação, os temidos nomes da biologia e um pouco sobre animais.

Revisão Virtual: Quando concluiu o ensino médio, por que escolheu o curso de medicina veterinária?

Julia Fernandes: Sou apaixonada por animais desde pequena e,  sempre achei maravilhosas as pessoas que tinham a capacidade de curar ou aliviar a dor de um animal que estivesse doente. 

Sempre quis ser veterinária e no ensino médio comecei a pesquisar mais detalhes sobre a profissão para saber se realmente era isso que eu queria para a minha vida, e, como imaginava me apaixonei ainda mais pela profissão.

Revisão Virtual: Quando optou pela carreira, não ficou com medo dos temidos nomes da biologia (Gênero e Espécie)?

Julia Fernandes: Não. Na verdade, na faculdade não vemos isto o tempo todo. 

Temos algumas matérias que aprendemos o gênero e espécie, como na parasitologia, virologia, bacteriologia, micologia, e vemos que são essenciais. 

Quando começamos a estudar vemos que não é tão difícil, pois muitos já conhecemos e geralmente os nomes são parecidos com o da espécie que ele afeta.

Revisão Virtual: Descreva em poucas palavras sobre: "O que é o curso de Medicina Veterinária"?

Julia Fernandes: A faculdade é dividida em curso básico e profissional:

No básico você aprende a anatomia e fisiologia dos animais domésticos (cão, gato, eqüino, suino e bovino), e em algumas faculdades ensinam também de aves. Aprende a fundo sobre cada tecido do corpo e suas células, patologia e os agentes infecciosos, sendo vírus, bactéria, fungos ou protozoários, entre outras matérias. 

No profissional, você vai aprender como aplicar estes conhecimentos básicos: o atendimento clínico, interpretar resultados de exames, e toda a parte de inspeção sanitária.

Revisão Virtual: Onde o médico veterinário pode atuar?

Julia Fernandes: O Medico veterinário tem uma área de atuação vastíssima! Todos pensam primeiramente em clínica de pequenos, grandes e animais silvestres, suas especialidades e cirurgias. 

Além disso, existe a área de pesquisa científica, laboratório clínico, diagnóstico por imagem (Raio X e ultrassonografia, por exemplo), nutrição, lecionar em uma universidade, perícia e genética para melhoramento animal. 

Temos a inspeção e direção técnico-sanitária de estabelecimentos, criação e produção de animais, entre muitos outros.

Revisão Virtual: Quando você entrou na faculdade, como foi o 1° ano ? Muita diferença com o colégio?

Julia Fernandes: Quando entramos na faculdade, a maioria das pessoas demora um pouco para entender que não é mais colégio que, estudávamos principalmente, para passar de ano. 

Na faculdade, cada matéria tem sua importância e devemos sempre aprender o máximo possível, e não somente estudar para fazer prova, afinal, esta será sua profissão. 

Logo no primeiro período nos deparamos com muita matéria, muitos nomes desconhecidos e parece que nada tem importância relevante. O que é um engano, pois tudo tem muita importância e, usamos rotineiramente no decorrer de toda a faculdade.

Revisão Virtual: Você já trabalha voluntariamente em uma ONG (SOZED - Sociedade Zoofila Educativa). Você pretende cuidar de animais montando um consultório ou pretende trabalhar na pesquisa científica?

Julia Fernandes: Pretendo trabalhar com pequenos animais em consultórios, pois é o que realmente gosto, apesar de não descartar oportunidades na área de pesquisa científica.

 Como o mercado de clínicos veterinários está supersaturado, devemos nos dedicar para ter destaque no mercado, principalmente sendo especialista em alguma área de maior interesse, no meu caso, a fisioterapia de pequenos animais.

Revisão Virtual: No Rio de Janeiro foi proibido os testes em animais para graduandos. Como você vê essa questão?

Julia Fernandes: É obvio que um graduando deve ter assistido uma cirurgia na faculdade, mas isto não significa que devem operar um animal saudável e depois sacrificá-lo. 

Isto para mim não é pelo bem da ciência e do profissional. 

Nós fazemos plantões na clínica veterinária auxiliando nas consultas, porque não, realizar plantões nas cirurgias? 

Todos sabem que em um Hospital escola, há alunos que se tornarão profissionais e devem aprender a lidar com todo tipo de situação durante um procedimento ou saber realizar diversas cirurgias. 

Mas, assim como outras matérias práticas, nem sempre adquirimos na faculdade a experiência que desejaríamos, devido ao curto período de plantões, mas, ao menos vivenciamos a situação, o que já é uma experiência. 

Para um profissional realizar uma cirurgia ele deve assisti-la dezenas de vezes. 

É imaturo pensar que, ao assistir uma única vez um tipo de cirurgia, o aluno conseguirá fazê-lo sozinho quando formado. 

Para isso, ele deve estagiar na área durante o máximo de tempo possível e realizar cursos práticos, com pacientes cadastrados, que saibam que um aluno realizará a cirurgia, supervisionado por um profissional responsável.

Revisão Virtual: Deixe uma mensagem para aqueles que pretendem cursar Medicina Veterinária.

Julia Fernandes: Se você quer fazer Medicina veterinária porque gosta de animais, tome cuidado. 

Segundo o código de ética do médico veterinário, o conceito é de: “ uma atividade imprescindível ao progresso econômico, à proteção da saúde, meio ambiente e ao bem estar dos brasileiros”. 

Para ficar mais claro, deixo um trecho do juramento: “ (...) buscando uma harmonização perfeita entre ciência e arte, para tanto aplicando os conhecimentos científicos e técnicos em benefício da prevenção e cura de doenças animais, tendo como objetivo o Homem.”. 

Obviamente muitos não concordam, e pensam em seguir a profissão para promover a saúde e bem-estar dos animais, em primeiro plano, como é o meu caso. 

E se este também é seu objetivo, não desanime, pois os animais precisam de pessoas perseverantes que, apesar das pressões negativas durante o curso, mantém seu pensamento no bem-estar dos animais.

Revisão Virtual: Você poderia deixar algum contato para que as pessoas pudessem eventualmente perguntar algo mais específico?

Julia Fernandes: Com certeza. Podem entrar em contato comigo pelo e-mail da ONG que eu trabalho, a SOZED: sozed_vet@yahoo.com.br

Revisão Virtual: Você poderia deixar o site e um contato para aqueles que pretendem ajudar a ONG e até mesmo realizar trabalho voluntário?

Julia Fernandes:http://sozed.wordpress.com
                                             tel:(21) 2273-8233
                              e-mail:  sozed_vet@yahoo.com.br 

Teremos prazer em ter como voluntários futuros médicos veterinários, ou mesmo pessoas que gostem de ajudar animais, não deixe de entrar em contato.

Agradecimentos:

Julia Fernandes, pela atitude interessada em transmitir à sociedade, o como funciona a maioria dos cursos de Medicina veterinária, pelo estímulo de perseverança,  aos que, como ela, querem seguir a profissão em prol realmente deste bem-estar "em primeiro plano", mas  em sua maioria desistem devido à forma fria com que as faculdades muitas vezes demonstram tratar os seus "sujeitos" de aprendizado.

À Marlon R. Vismari - Revisão Virtual, pelo consentimento da publicação da entrevista de Julia Fernandez, originariamente em seu site, para reprodução neste e-book.

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