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A Vida e as Práticas Médicas:


Compreender a origem da vida, nossa existência e também a de nosso planeta, sempre foi um mistério presente em todo percurso de nossa história como seres humanos “pensantes”.

Até hoje continua esta busca e seleção entre as mais diversas tentativas de explicações, baseadas nas diferentes teorias de pensamento, sejam elas de cunho mais filosófico ou físico-racional, para encontrarmos uma que se torne mais racionalmente adequada.

O homem no decurso do tempo e pegando como gancho a história da medicina, como visto no artigo sobre “D. Edward Bach e a Medicina” , ainda tem demonstrado uma melhor aceitação das teorias racionais em detrimento das filosóficas,para eleger uma mais coerente explicação quanto a este tema, haja visto que o reconhecimento do aspecto cientifico da homeopatia, da acupuntura, dos florais, dentre outras tantas ciências que ressaltam a importância das emoções, por exemplo, ainda é pouco divulgado para a sociedade quanto a sua eficiência, e assuntos como tecnologia e descobertas de novas drogas para cura são muito mais fáceis de se aceitar, discutir, propagar.

Compreender a existência de um Deus, Entidade, ou Ser superior, auxiliados com a filosofia, teologia, e psicologia, quanto aos aspectos inconscientes de poderosa atuação sobre nosso comportamento, implica em admitir que não temos este total livre domínio sobre nós mesmos.

Só para incrementar mais este balaio, talvez ainda nos dias de hoje somemos esta tarefa como sendo mais feminina do que da masculina.

Estudos realizados entre os sexos, justificam esta aptidão mais sentimental, digamos assim, como sendo das mulheres em detrimento dos homens, que possuem uma série de outras aptidões mais adequadas à sua constituição. Porém, se percebemos bem esta frase, podemos inferir que o caráter deste estudo da diferença emocional entre sexos, está mais preocupado com uma justificativa da classe masculina não deter esta facilidade das emoções e portanto não se importar com ela, do que utilizar este informação para estimular este déficit masculino.  

Voltando para a questão da vida e sua compreensão, e baseando então nas minhas aptidões femininas que me conferem um ser mais emocional e, portanto mais interessado na filosofia das coisas, convido-o a observar e refletir sobre o trajeto de nossa cultura-ensino para melhor compreender o por quê a vida ainda está longe de receber seu merecido valor.

De nada adiantaria acusar as falhas se não compreendêssemos as causas e assim apontássemos de uma forma construtiva uma solução ou soluções.

"A filosofia através da observação das atividades humanas com base nas reflexões sobre estas atividades busca determinar a natureza humana e suas relações com o mundo. Busca a essência desta natureza" (Misiak, 1964).

Considerando a observação do trajeto humano dentro da história, podemos entender que todas as áreas de formação do ser humano até o grau universitário, representam o resultado da nossa intenção desde lá trás dos tempos em amparar a vida, seja legalmente, psicologicamente, geograficamente,biologicamente, e assim por diante...

Porém, antes que se surgissem as cadeiras específicas de formação, os pesquisadores que colaboraram com suas descobertas e que refletem até hoje em nossas disciplinas acadêmicas, possuíam uma multidisciplinaridade.

Charles Darwin, enquanto estudava medicina, também se interessava por história e teologia. 

Galeno (130 – 200), médico mais destacado de seu tempo, o primeiro que conduziu pesquisas fisiológicas demonstrando pela primeira vez que as artérias conduzem sangue e não ar como até então se acreditava, também estudava filosofia. Em suas observações, a primeira coisa que recomendava aos médicos era o conhecimento profundo da Anatomia, depois da Filosofia.

Galileu Galilei (1564-1642), descobridor da lei dos corpos, do princípio da inércia e conceito de referencial inercial, idéias precursoras da mecânica newtoniana, era físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano.

E muitos outros...Quantos outros...

Tomando este referencial, voltando para a atualidade e ligando a especialidade veterinária ao tema, se observarmos a maioria das cadeiras de formação universitária, incluindo as mais complexas e diretamente ligadas a nós, não percebemos sequer uma matéria que envolva a compreensão das emoções, da filosofia, sendo que esta teve e tem um caráter de suma importância não só para a análise das doenças, como para a atitude ética médica.

Que dirá então matérias que nos aproximem de Deus?

Ao menos sobre as emoções seria essencial.

Ainda seguindo este raciocínio, mas voltando os anos, as crianças de hoje, muito mais evoluídas do que em outras épocas, sentem esta necessidade de integração, mas não são estimuladas nas escolas em que freqüentam, crescendo num treinamento para o racional, onde a intuição é completamente rejeitada. 

Os jovens vão às faculdades da mesma forma. Aprendem somente o que “deriva” e é considerado pertinente para a área. Também não aprendem sobre si. 

Então, de certa forma, todos nós somos treinados para a detenção do saber, para a competição, desde o período escolar, depois no vestibular e em seguida na conclusão de nossos cursos universitários. 

E a questão da vida, onde é que fica? 

Agora vamos fazer um parênteses...  

Este racional pregado dogmaticamente, em detrimento do múltiplo conhecimento antigo, não dá o acesso ao nosso coração. 

Ele nos proporciona o medo, e pelo medo vem a competição para se “ganhar” na raça, o querer o lucro. Esta visão de lucro por sua vez instaurada, nada mais é do que o reforço politicamente correto de que estamos no caminho certo, porém não estamos.Estamos nos afastando da vida.

Com esta visão de lucratividade e não da valorização de nossa individualidade como única pra cada ser, nos tornamos egoístas, mercantilistas, monopolistas.Queremos ter o controle, e quem quer controlar é porquê tem medo.

Esta falta do amor, este medo, esta submissão apresentada sob a forma de ensino, gera a nossa sensação de insignificância para que modifiquemos nossa realidade. Ao invés de sermos reforçados no nosso valor individual e único e assim partirmos para interpretar nossas atitudes questionadoras como que fazendo a diferença, nos desviamos deste pioneirismo por pensar “sou um só” diante de muita oposição.  

Então, embora muitas pessoas questionem-se por muitos fatos, inclusive dentro da formação veterinária, se deixam subjugar diante da cultura e política imposta. 

E a carruagem anda sob o mesmo trilho... 

Agora vamos juntar os exemplos influentes que tivemos para nossa história...

Para muitos de nós, os descobridores, cientistas são tidos inconscientemente como pessoas de um outro “ambiente virtual”, de uma outra realidade. 

O conteúdo mal alinhavado e interligado das disciplinas na escola, nos fazem aceitar, sem questionar, sem imaginar que nós podemos ser a ciência de um mundo melhor amanhã. 

Diante deste panorama, e agora geral, a cultura, as escolas, as universidades colaboram numa busca pelo caminho errado para resgatar a aceitação, a solidariedade, o respeito e a confiança em nós mesmos, ao invés de estimulá-la.

Anulando então nosso desejo de contribuir, nos des-ensina o amar, o compartilhar.

A forma que julgamos sem refletir na questão e apresentar soluções construtivas também é um resultado deste falso reforço, por nos indicar através da comparação destrutiva, de que o caminho é este, de que somos melhores.

Percebe que então ajudamos então a criar toda esta complexidade porque não fomos estimulados a compreender a vida?

Para aprender a valorizar a vida, você tem que aprender a fazer isso em si mesmo. Mas antes de tudo, aceitar sua importância, ver o “lucro” no sentido de aprimoramento pessoal e posterior contribuição harmônica, desta atitude para o universo.

Voltemos agora para o tema deste artigo, e acrescentando dois temas praticados dentro da área veterinária: a eutanásia animal e o aborto provocado.

Os animais e sua situação são o reflexo de nós mesmos, nos deixando manipular. 

Como explicar a eutanásia como um método aplicado para a “boa morte”, sob as leis da ética, unicamente em um animal que se encontre sob uma situação de sofrimento, nunca num animal sadio, se nos controles de zoonose o mesmo se aplica naqueles cuja saúde é verificada como boa, onde são, antes deste processo vacinados e castrados, mas que pela ausência do encontro de um possível adotante, são submetidos ao mesmo julgamento?

Não seria aqui um julgamento dúbio para uma mesma aplicabilidade? 

Como fica esta informação dentro da mente de um veterinário, que também não é estimulado a amar, a respeitar, a valorizar as emoções, dentro da universidade e o que isso colabora ou corrobora para sua consideração a respeito da verdadeira importância dos animais e seu bem estar? 

Se trabalhar com o bem estar dos animais domesticados, está diretamente ligado a nós humanos, cuidadores, por quê não ser mais solidários e menos frios no tratamento de um óbito animal pro exemplo, num apoio mais sustentado a seu dono? 

Que implicações isto poderia causar conforme a ética aprendida em faculdade? 

De nada adianta também, culparmos suas atitudes, consideradas por muito dos amantes da natureza animal como insensíveis, simplesmente porque dentro das disciplinas ministradas aos alunos de veterinária, encontram-se mais matérias racionais do que psicossociais. 

É necessário rever a história, numa visão solidária à compreensão “do outro”. Transformar nossa maneira de pensar. Levar a todos uma melhor consciência, e não monopoliza-la só pra si, para o se lucro pessoal. Mostrar junto aos conselhos acadêmicos e aos governantes a importância, que ainda não é dada suficientemente, dos aspectos humanos dentro de todas as áreas de formação acadêmica. 

Temos não só por direito conhecer mais a nós mesmos, como também, através da inclusão deste conhecimento em todas as áreas de formação, estaremos colaborando para uma melhoria do caráter interativo de todas as profissões com os seres os quais nos relacionamos: nós, o ambiente, e, inclusos nele, a natureza e os animais. 

Se por um lado muitos espíritas comem carne mesmo praticando o bem, muitos veterinários eutanasiam sem se abster desta prática diante das situações em que ainda jaz uma centelha de chance, e muitos proprietários delegam a sentença de morte a uma cria indesejada, mesmo que ela não comprometa a vida do animal, se a questão da espiritualidade ainda é um assunto velado, e os medos e todos os comportamentos humanos ainda são um mistério ao invés de considerados conhecimentos importantes principalmente nas escolas e na mídia, já que detemos muito deste saber, querer que os humanos compreendam os animais e sua natureza, a não ser sob o ponto de vista de componentes isolados, se a interligação não é feita, torna-se praticamente impossível. 

Enquanto não aprendermos a interligar as emoções em todas as áreas de nossa vida, não compreenderemos o que é amar, não compreenderemos a vida. 

Portanto, devemos nos esforçar na busca do autoconhecimento, mesmo que ele ainda não tenha sido estimulado em sua época escolar, e o passo importante para as futuras gerações está, ao meu ver, na interligação das disciplinas escolares que é feita hoje de maneira isolada e sem uma explicação do por quê temos que estudar física, química, biologia, etc, para que percebamos a importância desta integração, e na inclusão de disciplinas humanas, mesmo que sob uma forma mais resumida, em todas as áreas acadêmicas universitárias, para que desde cedo sejamos estimulados a amar e a compreender nossa natureza na totalidade, e, com base neste conhecimento e respeito, possamos desempenhar nossas atividades disciplinares sob uma melhor ética e respeito à vida, leia-se, todas as formas de vida.

Quem preferirá então, diante do conhecimento e compreensão do amor, transmitidos de forma correta, escolher mesmo assim a guerra?

***

Vídeo para complementação e embasamento do texto: 
Entrevista com Robert Happe

Agradecimentos: 

Tanira - "grupo_claraluz@yahoo.com.br" pelo indicação do vídeo ao grupo!

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